Quarta-feira, 6 de Julho de 2022

Montalegre vê na exploração de lítio oportunidade única de combater despovoamento

O presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, afirmou hoje que o projeto de exploração de lítio junto à aldeia de Carvalhais “será uma oportunidade única de combate ao despovoamento” da região.

Segundo o autarca, a empresa Dakota Minerals prevê um investimento de cerca de 370 milhões de euros no concelho na exploração de lítio, na zona de Carvalhais, e também na construção de uma fábrica para o processamento dos compostos de lítio.

O lítio é usado na produção de baterias para automóveis e placas utilizadas no fabrico de eletrodomésticos.

Se os projetos avançarem, tanto a exploração como a fábrica, serão criados “mais de 200 postos de trabalho”.

“Este projeto de exploração de lítio será uma oportunidade única de combate ao despovoamento da região”, afirmou Orlando Alves, num comunicado emitido após uma reunião com representantes da companhia australiana.

O presidente referiu que a Dakota Minerals já investiu cerca de um milhão de euros nas atividades de prospeção.

Em Montalegre, a empresa opera em parceria com a portuguesa Luso Recursos, através de um acordo para a detenção dos direitos de exploração.

O processo está, atualmente, em fase de licenciamento. O autarca aproveitou para fazer um ponto da situação do ‘dossier’.

“É um processo complicado que está a ser desenvolvido no Ministério da Economia, na Direção Geral de Energia e Geologia”, frisou.

Esclareceu que, numa primeira fase, está previsto um investimento de 70 milhões de euros, direcionados para o fabrico de placas utilizadas na construção de eletrodomésticos.

Depois, já numa fase posterior, está previsto um investimento de mais 300 milhões de euros, na produção de baterias para a indústria automóvel, com a perspetiva de emprego para mais de 200 pessoas.

“Espero que não haja empecilhos jurídicos. Da parte do município, move-nos o interesse de fazer chegar a mensagem de que nada se faça a troco de nada e tudo se faça a troco de tudo”, salientou.

Ou seja, acrescentou, “que não se entregue a exploração a qualquer preço, antes se exija ao concessionário que todo o processo de transformação aconteça no território para que o valor acrescentado fique no país e tudo isto tenha maior impacto no desenvolvimento regional e, consequentemente, na economia nacional”.

O presidente informou ainda que encetou “as diligências necessárias junto da Secretaria de Estado da Energia por forma a incluir, no caderno de encargos da exploração, a obrigatoriedade da transformação do mineral em território concelhio o que originará mais trabalho qualificado e valor acrescentado para a economia nacional”.

Orlando Alves classificou este projeto como “uma alavanca de oportunidades” para o território, que passam, desde logo, por “atrair mão-de-obra qualificada”.

“A região vê nesta exploração uma oportunidade única para o repovoamento do território e uma oportunidade impar de engrandecimento das finanças públicas do nosso país, tão carente de receitas e de investimento estrangeiro”, sustentou.

Portugal está entre os 10 maiores produtores mundiais de lítio, cujo valor económico vem sendo incrementado pela utilização dos carros elétricos.

 

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