Assim, manter uma alimentação saudável, que tenha em conta necessidades específicas, é uma medida de promoção de saúde geral e também de prevenção de doenças, nomeadamente de problemas reprodutivos.
Energia: Tanto um défice calórico excessivo (isto é, uma ingestão de energia abaixo das necessidades) como um excesso de massa gorda e obesidade têm um impacto negativo nos níveis de testosterona no homem. Níveis baixos desta hormona podem resultar em perda de massa muscular, diminuição da densidade mineral óssea, ganho de massa gorda, alterações de humor, fadiga, redução da libido, prejuízo da função sexual e aumento do risco cardiovascular.
No que toca aos micronutrientes, alguns deles merecem especial atenção quando se fala da saúde masculina, particularmente pelo seu impacto na saúde reprodutiva e fertilidade.
Zinco: Presente nas sementes de linhaça, papoila e chia, caju, nozes, leguminosas, aveia, carne e ostras, este mineral está relacionado com a imunidade e controlo da inflamação, assim como a síntese de testosterona. Para além do consumo alimentar, a sua suplementação pode ter interesse na melhoria da qualidade dos espermatozóides e na restauração dos níveis de testosterona.
Vitamina D: Além do importante papel na imunidade e no metabolismo ósseo e muscular, tem recetores no sistema reprodutor e está relacionada com os níveis de testosterona.
Apesar de poder ser encontrada no peixe gordo, laticínios e ovos, o aporte via alimentar é limitado, sendo necessária a exposição solar e/ou suplementação para obtenção de níveis adequados (> 30 ng/mL), a avaliar através das análises clínicas.
Compostos antioxidantes: Uma baixa ingestão de alimentos fontes de polifenóis pode promover um aumento da conversão da testosterona em estrogénios. A longo prazo, esta alteração poderá gerar um aumento excessivo dos níveis de estrogénio no homem, tal como acontece na obesidade. Os polifenóis, associados à redução do stress oxidativo a nível celular, podem ser encontrados nos frutos vermelhos e roxos, maçã, uvas, chá verde, alho e cebola.
Uma maior adesão ao padrão alimentar mediterrânico, em parte devido ao elevado consumo destes compostos através da fruta e dos hortícolas, parece estar associada a uma melhoria de parâmetros espermáticos, nomeadamente a concentração total de espermatozoides, para além dos seus benefícios já reconhecidos na saúde cardiovascular, cognição e longevidade.

