Esta é uma criação sobre os Abutres Ibéricos. Os agentes funerários da natureza deparam-se com algo mais do que a sua própria morte: A sua extinção.
A peça retrata abutres e homens conviveram em equilíbrio durante milhões de anos. Várias civilizações ao longo da história do Homem viram os abutres como seres de bom presságio, quando não como seres superiores com poderes mágicos que faziam a ponte entre a terra e o céu. A Vida e a Morte. Aqui mesmo na Europa, no sul de França, os abutres são associados à Virgem Maria.
Então, porque é que atualmente usamos o termo “Abutre” como sinónimo de oportunista e interesseiro? Também para indicar maliciosos políticos, banqueiros e maus jornalistas?
Os abutres são um dos grupos de animais mais importantes para os ecossistemas e estão seriamente ameaçados. É fundamental a sua conservação e a Península Ibérica é o principal núcleo europeu destas espécies.
Esta criação procurará uma narrativa poética assente na palavra, na linguagem física e na música interpretada ao vivo, onde os intérpretes se transfiguram em atitudes animais e humanas, com almas humanas e animalescas dentro, respetivamente. A ironia e um certo humor negro espreitam nos lugares mais sombrios.
Este espetáculo foi concebido no âmbito do projeto “SentinelaS” da Palombar. “SentinelaS” é financiado pelo Fundo Ambiental e pretende sensibilizar as comunidades para a importância ecológica das aves necrófagas, procurando envolve-las na salvaguarda, nas ameaças e à sua conservação.





