InícioMondim de BastoPopulações querem estrada Barreiro-Lamas de Olo

Populações querem estrada Barreiro-Lamas de Olo

Durante a tarde de domingo, mais de uma centena de pessoas das aldeias de Barreiro, Varzigueto, Fervença , Assoreira e Lamas de Olo protestaram contra a interrupção do processo de construção da estrada entre Barreiro e Lamas de Olo, motivada pela providência cautelar avançada pela Quercus. Vila Real e Mondim de Basto juntaram-se às reivindicações dos populares.

No fim do troço alcatroado da estrada Barreiro – Lamas de Olo, os populares voltaram a manifestar-se contra a posição da Quercus, exigindo a continuidade da construção do troço que falta para concluir a obra, que são cerca de 800/1000 metros.

O presidente da Câmara de Mondim de Basto, António Cerqueira, o vereador do município de Vila Real, Miguel Esteves, e os presidentes das Juntas de Freguesia também estiveram presentes.

O presidente da Câmara Municipal de Mondim de Basto, António Cerqueira, sustentou a posição do município sobre o seu alinhamento neste processo. “A defesa do ambiente faz-se com as pessoas que estão cá. São elas que combatem os incêndios, que zelam pela caça, pelo ambiente e pela paisagem. Isto não pode parar porque meia dúzia de jovens ambientalistas resolveram alinhar neste processo de bloqueio. A estrada será construída em cubo de granito e não colidirá com o ambiente. Da parte de Mondim de Basto contém com o nosso total apoio, incluindo até ao nível jurídico”.

Pelo mesmo diapasão se posicionou o vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Vila Real, Miguel Esteves, que não poupou críticas à associação ambientalista. “A Câmara de Vila Real, ao marcar presença nesta manifestação, deu um sinal de indignação pelo que está a acontecer e junta-se aos interesses da população, que discorda da providência cautelar. Não é desta forma que a Quercus dá o exemplo de salvaguarda dos interesses da população. Deve ser com estas e não contra estas que se deve preservar as paisagens e a biodiversidade. Depois de muito pugnarmos e lutarmos para que esta obra tivesse os fundos necessários para a sua realização e depois de várias consultas às entidades competentes (CCDRN, Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade), tivemos o parecer favorável, sendo que alguns aspetos da intervenção foram tidos em linha de conta. Porém, após a abertura do concurso para a consignação da obra, surge esta providência cautelar que nos deixou indignados”.

Este anseio das populações já tem dezenas de anos de espera. Um dos habitantes, Marcelino Pires Moreira, realçou que as aldeias tem idosos, doentes que precisam de ir ao hospital ou a Vila Real e são obrigados a andar mais 12 quilómetros por estradas sinuosas e perigosas, por causa de 800 metros que estão por construir.

Joaquim Avelino também se mostrou revoltado com esta situação. “Lamento mais uma vez que as pessoas sejam votadas ao desprezo. Exigimos bom senso e dou um exemplo da importância que tem o papel das populações na preservação do meio ambiente. Se não fossem as nossas gentes a combater, dias e noites, juntamente com os bombeiros o fogo, isto ficava tudo reduzido a cinzas”.

Recorde-se que, o processo parou no início deste mês quando a associação ambientalista avançou com o documento para tribunal, alegando que a nova via, num extensão de cerca de 800 metros em pleno Parque Natural do Alvão, pode afetar o lobo ibérico e da borboleta azul, prejudicando o equilíbrio ambiental.

Já as populações e Câmaras de Vila Real e Mondim de Basto defendem que a via não porá em causa as espécies protegidas e com a construção da estrada seria reduzida a ligação a Vila Real em 12 km.

Esta obra, orçada em 170 mil euros, se tivesse começado há uma semana e meia conforme previsto, seria concluída antes de dezembro, assim será naturalmente ultrapassado este prazo.

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