Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022

Portugal é dos países que dá mais férias aos alunos

A eficácia dos sistemas de ensino depende não só daquilo que os alunos aprendem e desenvolvem no período escolar, mas também da forma como o calendário letivo e respetivas pausas estão organizados.

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Portugal é o 4.º país da OCDE com o período de férias escolares de verão mais longo para os alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico (13 semanas), sendo também o 4.º país que garante mais férias escolares em todo o ano lectivo (17 semanas). Por outro lado, Portugal é o 10. º com menos pausas letivas ao longo do ano (apenas 4 semanas).

Consequentemente, Portugal é o 5.º país da OCDE em que as férias escolares de verão pesam mais face ao número total de semanas de férias (75%). Em alguns países, como Inglaterra, Austrália e França, o período de férias de verão corresponde a apenas metade das férias totais dos alunos, existindo, por isso, um maior peso das pausas letivas.

Ou seja, Portugal é um dos países que mais semanas de férias garante aos seus alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e isso reflete-se, igualmente, no número de horas totais de instrução neste nível de ensino (Portugal é o 8.º país da OCDE onde são garantidas menos horas de instrução na escola, aos alunos).

O estudo “Summer learning and its implications: insights from the Beginning School Study” de Karl Alexander, Doris Entwisle e Linda Olson, concluiu que as férias aumentam desigualdades nas escolas. Enquanto as crianças das famílias de maiores rendimentos continuam a aprendizagem nas férias, as crianças das famílias de menores rendimentos estagnam.

Enquanto outros países privilegiam as curtas pausas durante o ano letivo, Portugal concentra a maioria do período de férias no verão, o que poderá ter impactos maiores no aumento das desigualdades já referidas. França e Bélgica são os países com mais semanas de férias ao longo do ano letivo (8 semanas), o dobro do que se verifica em Portugal.

A discrepância elevada do calendário dos alunos portugueses face à maioria dos estudantes europeus deve suscitar-nos reflexão sobre como tornar o calendário anual mais equilibrado e tornando-se mais eficaz no desenvolvimento e retenção das aprendizagens.

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