Passaram-se dez meses e Portugal resiste à transição para a rede de alta velocidade. Apenas Portugal e Lituânia ainda não têm ofertas comerciais para a rede 5G.
O leilão para o 5G em Portugal arrasta-se há vários meses. Este longo e interminável processo tem a Anacom no centro das críticas, sobretudo pelos operadores de telecomunicações, mas também por vários quadrantes políticos, que criticam o modelo de leilão definido pelo regulador. Este longo atraso compromete a competitividade de Portugal na década da transição digital.
Curiosamente, Portugal falha agora onde costuma ser “bom aluno” (ou, pelo menos, “mediano”). No Índice de Digitalidade da Economia e Sociedade (DESI) de 2020, que avalia o desempenho digital dos Estados-membros da União Europeia e a evolução da sua competitividade digital, a melhor classificação portuguesa foi na dimensão que avalia a conectividade do país e qualidade das suas infraestruturas tecnológicas, onde Portugal ficou em 12.º, entre os 27 Estados-membros. Deste estudo destacavam-se outro tipo de preocupações: “Capital Humano”, onde Portugal posicionava-se em 21.º e “Utilização de Serviços de Internet”, como terceiro pior país. Estas duas dimensões refletem a iliteracia digital do país: cerca um quinto da população nunca usou a internet, o dobro da União Europeia (UE), e a percentagem de especialistas em tecnologias de informação e comunicação está muito aquém da média da UE.
Os sucessos económicos e sociais futuros de cada país dependerão, em boa parte, da velocidade e eficácia na adaptação a um novo contexto digital, que transformará (já começou!) as sociedades de forma profunda. Assim, enquanto discutimos o orçamento, a crise política e potenciais mudanças nas lideranças partidárias, Portugal hiberna na competitividade digital. Já não bastava a notória iliteracia digital (um quinto dos portugueses nunca usou a internet), agora somos também um mau exemplo na implementação de novas tecnologias.
Uma parceria com o Instituto +Liberdade (maisliberdade.pt)



