Cada um destes jovens teve, em média, mais de 12 anos de escolaridade. Quase 80% destes jovens completaram o Ensino Secundário e o Ensino Superior é cada vez mais comum. Os avós desta geração, aqueles que nasceram na década de 40, tiveram apenas 6 anos de escolaridade, em média, metade dos seus netos. A maioria da população não tinha mais do que a antiga 4.ª classe, e cerca de metade da população era analfabeta. Um cenário muito distinto da realidade atual.
O país mudou, mas isso não se reflete necessariamente em melhores salários para quem estuda mais. A geração da década de 40 era pouco literada, mas o incentivo para obter mais formação era grande, uma vez que cada ano adicional de escolaridade correspondia a cerca de 10% mais de salário. Para a geração atual, essa percentagem é metade, influenciada pela estagnação económica do país nas últimas duas décadas. Se pensarmos no copo meio cheio, diremos que estes resultados podem ser um sinal de que as desigualdades são atualmente menores, pelo que a disparidade salarial entre os cidadãos mais educados e os menos literados é menos significativa. Uma visão alternativa, com o copo meio vazio, remete-nos para uma perspetiva mais pessimista: cada vez compensa menos estudar em Portugal, em termos de financeiros.
O estudo “A Equidade Intergeracional no Trabalho em Portugal”, de Pedro S. Martins e apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, destaca ainda que quem entra no mercado de trabalho durante uma crise económica é prejudicado na sua evolução profissional, não só a curto prazo, mas também a médio. Isso poderá justificar a quebra da percentagem de aumento salarial por cada ano de escolaridade no que se refere à geração de 80, que entrou no mercado de trabalho durante a crise financeira internacional ou aquando da intervenção da Troika em Portugal. Quanto à geração de 90, os seus primeiros anos de trabalho coincidem com a pandemia, num período em que o desemprego galopou e a economia deu uma forte queda. A confirmarem-se as aprendizagens passadas, esta geração sofrerá também deste contexto, condicionando o seu crescimento profissional e económico.
Apesar da tendência verificada, a educação continua a ser um catalisador do crescimento económico de cada cidadão e, consequentemente, um forte estímulo à mobilidade social, ainda que esse contributo seja menor para as gerações mais jovens, sobretudo para aquelas que entram agora no mercado de trabalho em plena pandemia.








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