Dezenas de populares destas duas aldeias do concelho de Mondim de Basto manifestaram, na quinta-feira, o seu descontentamento com os argumentos dos ambientalistas relacionados com a construção do tão ambicionado segmento de estrada.
Recorde-se que, a Quercus assumiu que a construção do troço “iria agravar ainda mais a sobrevivência do lobo ibérico e da borboleta azul”, uma espécie raríssima, que pode pôr em causa a própria biodiversidade do local. Este argumento não convenceu as pessoas destas aldeias. José Marcelino, residente em Barreiro, foi uma das pessoas que manifestou o seu desagrado com a posição da associação ambientalista.”Isto é tudo uma invenção. A estrada não afeta a existência do lobo nesta região. Aliás, nesta zona, a população até garante que há muitos anos que não vê um! E além disso, o habitat da borboleta azul localiza-se mais abaixo do traçado. A Quercus devia era ter mais atenção ao facto dos doentes e a população da aldeia terem de andar mais 14 quilómetros para Vila Real por causa de 800 metros de estrada”.
Armando Correia (Fervença) também defendeu a construção da estrada. “Precisamos desta estrada. Os doentes, as pessoas idosas e também as mais novas são afetadas com esta situação. No entanto, só acredito na construção quando as máquinas começarem a trabalhar”.
Na vizinha aldeia de Barreiro, a convicção era igual. “Aqui não há lobos nenhuns”, garante Aurora Carvalho, de 73 anos. “O meu genro perdeu uma cabra que pariu, mas ao fim de dois dias encontrou-a já com o cabritinho na estrada. Se houvessem lobos isto acontecia?”, questionou uma outra mulher residente em Barreiro.
A posição da Quercus surgiu quando a obra (há mais de 30 anos aguardada pela população) finalmente teve luz verde para a avançar, depois de garantido o seu financiamento e o parecer positivo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Norte, e do Instituto da Conservação da Natureza. A própria Câmara de Vila Real assegurou que o troço terá o menor impacto possível na preservação da biodiversidade e será utilizado paralelo em vez de alcatrão, estando ainda prevista a construção de uma ponte.






