Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021

Refood regista aumento dos pedidos de ajuda

Com a pandemia a assolar o mundo e a região, a associação não tem mãos a medir para ajudar quem mais precisa, notando já um aumento dos pedidos de ajuda por parte das famílias vila-realenses.

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Os tempos não estão fáceis para ninguém e todos os dias têm chegado novos pedidos de ajuda de famílias vila-realenses à Refood, uma associação que oferece bens alimentares a quem mais precisa.

Numa altura em que muitos portugueses perderam rendimentos, outros ficaram mesmo sem qualquer meio de subsistência, a Refood de Vila Real não para e continua a levar comida aos mais necessitados. 

Antes da pandemia do novo coronavírus, a associação apoiava cerca de meia centena de agregados familiares, situação que se agravou com a crise provocada pelo vírus invisível, como nos confirmou uma das voluntárias mais antigas da Refood, Helena Silva. “Apoiávamos 51 famílias, num total de 150 pessoas, número que subiu para mais 15 famílias, ou seja, no total já são 66 agregados familiares”. 

Os pedidos chegam através das redes sociais, sinalizados pelas Juntas de Freguesia, mas sobretudo através do boca-a-boca.

As famílias são de todo o concelho e não apenas da cidade, revelou a voluntária, que é também a responsável pelos beneficiários. “Não são só da cidade, há pessoas de Parada de Cunhos, Arroios, Mouçós, Mateus ou Folhadela”.  

DIFICULDADE EM ANGARIAR DONATIVOS 

É a única associação “100 por cento voluntária”, frisa Helena, que lamenta que as empresas de Vila Real não estejam sensibilizadas para a causa. “Tive a experiência, juntamente com uma colega, em que andámos pela zona industrial. As pessoas mostram simpatia com a causa, elogiam o nosso trabalho, mas não ajudam muito, pois poderiam consignar os 0,5 por cento do seu IRS a favor da associação, por exemplo”. 

Para contornar as dificuldades, os voluntários são a força motriz da Refood, que tem ainda a ajuda de hipermercados, alguns restaurantes e pastelarias. “Promovemos iniciativas. Tínhamos programada a Feira da Flor, que não conseguimos realizar. Era sobretudo aproveitada para vender bolos, compotas, artesanato, feitos pelos voluntários para ajudar a associação”, revela Paula Ferreira, outra voluntária, adiantando que têm parcerias com três grandes hipermercados, mecenas anónimos, alguns restaurantes e pastelarias. “Apesar de alguns terem estado fechados, quando começaram a trabalhar em take-way começaram logo a ajudar”. 

Com cerca de 100 voluntários ativos, a Refood teve de se ajustar e alguns tiveram mesmo de dar muitas mais horas para que a ajuda continuasse a chegar aos mais necessitados. “Como muitos são estudantes universitários, nos primeiros 15 dias tivemos dificuldades, mas outros assumiram o trabalho, fazendo muito mais do que o habitual, mas também o estamos a fazer porque temos essa disponibilidade”, explica Paula Ferreira, que é também responsável pelo voluntariado. 

“NÃO TENHAM VERGONHA”

“As pessoas não devem ter vergonha de pedir ajuda, hoje são eles, amanhã poderá ser qualquer um de nós”. 

Helena Silva refere que as pessoas sentem “muita vergonha” em pedir ajuda. “A experiência que tenho é que, muitas vezes, os mais envergonhados são os mais necessitados e toda a gente está sujeita a ter uma infelicidade nesta na vida, sobretudo nos dias de hoje e nesta sociedade”, sublinha, incentivando as pessoas a pedir ajuda se realmente necessitam. “Não precisam de ter vergonha. Quem sabe se daqui a alguns meses não nos pode vir a ajudar e estar já noutra situação”.

NECESSIDADE: UMA CARRINHA

Utilizam os veículos próprios para fazer a recolha e também algumas das entregas, por isso necessitavam de uma carrinha para ajudar a fazer a distribuição, neste período de pandemia. “Se fosse só uma carrinha a fazer o serviço, seria mais fácil fazer a desinfeção”, frisa Paula, que gostaria que os empresários ajudassem, por exemplo, com o combustível. “Se um posto de combustível pudesse ajudar a encher o depósito, era importante para desenvolver esta atividade”.

Desde abril de 2018 que a Refood se instalou na cidade transmontana, pelas mãos de António Santos, que conseguiu unir várias pessoas que se dedicam à causa de “corpo e alma”, sem receber nada em troca, apenas o carinho e amizade de quem é ajudado.

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