Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

Região prestes a ver a luz ao fundo do Túnel

Com cerca de dois meses de avanço relativamente ao calendário inicialmente previsto, já é possível entrar mais de três quilómetros pelas “entranhas” da serra do Marão. Com várias frentes de trabalho a decorrer em simultâneo, em março a infraestrutura deverá estar pronta a abrir aos automobilistas. No final de uma longa novela, finalmente a região vai ver a “luz ao fundo do Túnel”

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Já faltam menos de 700 metros para “varar” o Túnel do Marão, ou seja, para que as “bocas” se encontrem e a serra seja completamente perfurada, confirmou André Oliveira, da Estradas de Portugal (EP), que acompanhou a VTM numa primeira viagem através da abertura que continua a avançar diariamente cerca de 18 metros serra à dentro.

“Os trabalhos estão a correr muito bem. Continuamos com a escavação, que se prevê que decorra até ao final de julho e já iniciamos os trabalhos de impermeabilização e execução do revestimento definitivo”, explicou o coordenador da obra.

Com a obra a representar uma “máquina bem oleada”, já foi possível, desde que os trabalhos se reiniciaram, em novembro do ano passado, “tirar cerca de um mês e meio a dois meses” do calendário inicialmente previsto, calculando-se que a construção esteja concluída em fevereiro e que a Autoestrada do Marão, em toda a sua extensão, seja aberta ao público em março.

Com 5,6 km de extensão, o Túnel, que promete ser o maior da Península Ibérica, integra um troço de 30 km da vai rápida que vai ligar Amarante e Vila Real e que, com a Autoestrada Transmontana, vai constituir a A4.

A construção da infraestrutura começou em 2009, no entanto, ao longo dos anos, os trabalhos estiveram mais tempo parados do que em andamento, isso devido a três interrupções. Das primeiras duas vezes, que representaram um atraso total de mais de seis meses, a obra parou na sequência de providências cautelares levantadas por um privado. O último impasse no projeto, que levou a uma paragem de mais de três anos, aconteceu em 2011, quando a concessionária assumiu problemas de ordem financeira, tendo a EP de ficar com a gestão inerente ao desenvolvimento da concessão.

Na altura a EP decidiu alterar o modelo de contratação da obra, optando pelo modelo de conceção/construção para o Túnel e por empreitadas para os acessos Poente e Nascente, os quais têm uma extensão aproximada de 10 quilómetros cada.

 

150 explosões de cada vez fazem avançar o Túnel

 

A “aranha do Marão”, como é conhecido o equipamento que realidade se denomina por “Jumbo”, faz com os seus longos braços os 150 buracos na rocha onde são introduzidos explosivos. Dá-se detonação e depois da explosão, que dura apenas seis segundos, passa-se à remoção do material e à instalação do suporte provisório, completando-se assim cada ciclo da fase de escavação.

Em ação 24 sobre 24 horas, os trabalhos de escavação decorrem em quatro frentes, sendo que cada ciclo, que demora até 20 horas, tem permitido um avanço “de cerca de 4,5 metros diários, o que totaliza, nas duas bocas, das duas galerias, entre 18 e os 20 metros por dia” de perfuração, explicou André Oliveira.

A decorrer em simultâneo estão outras duas frentes, o processo de impermeabilização e a execução do revestimento definitivo, no qual já foram executados mais de dois mil metros túnel adentro (lado nascente).

Segundo o engenheiro responsável, “no final deste mês, início do próximo”, outra frente de trabalho vai ter início, nomeadamente a instalação das infraestruturas eletromecânicas (componente da obra que suporta dezenas de ventiladores, detetores de monóxido de carbono, sensores e câmaras de vídeo entre muitos outros equipamentos), altura em que, com vários e distintos trabalhos em curso ao mesmo tempo, a obra deverá entrar no seu “pico” em termos de construção, somando, só na empreitada do Túnel, mais de 500 trabalhadores.

Relativamente aos dois outros troços, André Oliveira explicou que os trabalhos são “mais suscetíveis às condições meteorológicas, porque estão a céu aberto, o que não acontece no Túnel, onde se pode trabalhar, faça chuva ou faça sol”. “Numa altura em que o verão começa a aparecer, prevê-se que a obra tenha um grande empurrão, uma grande evolução nos próximos meses”, adiantou.

 

Zero acidentes

 

Desde que os trabalhos recomeçaram, em novembro do ano passado, não se registou nenhum acidente grave, ou seja, ocorrências que tenham resultado “na morte ou incapacidade permanente” de trabalhadores.

“Registamos com agrado que, apesar de toda a máquina envolvida na execução desta obra e de termos vários trabalhos a decorrer num espaço que acaba por ser exíguo, não temos registo de acidentes graves”, testemunhou André Oliveira ressalvando que tal resulta de “um procedimento de segurança que está implementado e muito bem estudado”. “Nesta obra não entra nenhum trabalhador que não tenha dois tipos de formação. Uma formação geral e outra específica, em função da atividade que desempenha”. Num cenário impressionante de atividade, de movimentação de trabalhadores e meios pensada ao milímetro, a construção do Túnel decorre notoriamente “sobre rodas”, sendo de recordar que a construção da via vai permitir um acesso mais rápido e muito mais seguro à região.

 

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