Sábado, 16 de Outubro de 2021

Setor do turismo vai ter que “se reinventar”

As medidas de confinamento e restrição da mobilidade dos cidadãos tiveram como consequência uma redução significativa da procura turística um pouco por todo o mundo. Com a pandemia, o setor vai ter que procurar estratégias para voltar a cativar turistas.

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“Vamos enfrentar novos desafios e procurar novas perspetivas e ideias porque nada vai ser como antes”. Quem o diz é João Fontes, proprietário do Turismo Rural Casa Fontes, no centro da vila de Pedras Salgadas, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, na região do Alto Tâmega, que tem no turismo um dos grandes impulsionadores da economia. 

“O turismo vai ter que se reinventar. Nós temos muita coisa para as pessoas fazerem e visitarem e é a oportunidade para fazermos melhor e cativarmos ainda mais clientes. Eu, por exemplo, já estou a pensar em voltar a apostar forte no turismo de natureza e estou a preparar caminhos pedonais em GPS através da aplicação Strava”. 

João Fontes tem a sua unidade hoteleira encerrada desde 14 de março, está preocupado com as medidas e restrições que o governo poderá estar a preparar para o setor do turismo, mas adianta que “temos que ser realistas e estar preparados para o que aí vem”. 

Gustavo Pinto, diretor do Ibis Styles Chaves, é da mesma opinião. “O grande desafio prende-se com o facto de a região do Alto Tâmega ter que trabalhar muito, mas em conjunto, de forma a publicitar e promover o destino. Acho que uma mais valia nesta altura é estarmos no interior”, referiu o diretor do hotel situado nas redondezas do Balneário Termal, considerado um dos motores da economia da cidade e que, devido à pandemia, também está encerrado. 

“Chaves é uma cidade termal e as Termas são uma fonte de receitas muito importante. Ficou claro que a autarquia e as entidades responsáveis pelo balneário querem relançar a atividade termal tendo sempre em conta as normas de segurança”. 

SELO “HOTEL COVID FREE”

Ainda não há uma data definida para a reabertura do setor da hotelaria, mas já há hotéis a adaptarem-se para obter o selo “Hotel Covid Free” do Turismo de Portugal, adotando medidas específicas de desinfeção das unidades e de proteção de saúde. 

“Estamos a trabalhar nisso. Aliás, alguns dos procedimentos já existem, agora é uma questão de adaptação. Provavelmente com este selo teremos que mudar algumas coisas, nomeadamente o serviço de pequeno almoço que poderá ser feito através de room service, ou seja, acabar com os buffets, limitar o número de pessoas nas zonas comuns…”, refere Gustavo Pinto acrescentando que “o mais importante é desmistificar que os hotéis, nesta altura, não são seguros, antes pelo contrário”. 

O selo “Hotel Covid Free” será uma garantia que as unidades hoteleiras poderão dar e uma forma “de cativar clientes nesta fase”, tal como disse João Fontes. 

OS DESAFIOS PARA O ALTO TÂMEGA 

A autarquia de Chaves está, até 14 de maio, a promover um ciclo semanal de videoconferências com o objetivo de dialogar com os empresários e cidadãos sobre a situação do setor do turismo, face à pandemia de Covid-19 que atingiu, a região, a nação e o mundo.

Na primeira webinar “Chaves On”, conduzida por Ramiro Gonçalves, foram debatidos os novos desafios que o setor primordial na região terá que enfrentar com a pandemia. O primeiro secretário geral da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega deixou a mensagem de que “nada irá ficar igual” e que os empresários deste setor “têm que olhar para esta pandemia com um sentido de oportunidade”. 

“Quem mais rapidamente perceber quais são as necessidades dos nossos turistas e conseguir adaptar os modelos de negócio, vai mais facilmente ultrapassar esta crise”. Ramiro Gonçalves fala num processo de mudança diferente em que a palavra chave é agir. “Se conseguirmos antecipar a situação vamos ser os primeiros, se ficarmos à espera que os outros façam e depois formos copiar, vamos entrar na corrida outra vez com um atraso”. 

A CIM do Alto Tâmega já tinha delineado um plano estratégico para o setor baseado na perspetiva da região como um território da água e bem-estar. Se no pré-pandemia a baixa densidade era um constrangimento, no pós-pandemia essa principal característica da região é vista como uma vantagem. “Estou convencido de que, quando as pessoas marcarem férias, vão, nesta fase, procurar sítios com menos gente. Ninguém vai estar disponível para um turismo de massas”. 

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