Quinta-feira, 23 de Julho de 2026
EnsinoTurmas mistas são “um mal necessário”

Turmas mistas são “um mal necessário”

Um pouco por todo o país são várias as escolas com um número reduzido de alunos, sobretudo em aldeias. As turmas mistas, com dois anos de escolaridade, são “um mal necessário” e exigem outra dinâmica dos professores

Para fazer frente à escassez de alunos, as escolas optam por ter as chamadas turmas mistas. Na mesma sala, há alunos de vários anos de escolaridade, normalmente dois, o que exige mais dos professores.

A Escola de Fontes, no concelho de Santa Marta de Penaguião, é um desses casos. É lá que Arminda Almeida dá aulas. Professora há 25 anos, é a terceira vez que tem turmas mistas.

“É mais exigente dar aulas numa turma assim, porque não dá para explorar muito os temas”
ALZIRA ALMEIDA
PROFESSORA EB FONTES

“Nesta escola existem duas turmas. Uma do 1º e 2º ano, com 10 alunos, e outra do 3º e 4º ano, com 12”, indica. Dá aulas aos mais velhos e confessa que “é mais exigente dar aulas numa turma assim, porque não dá para explorar muito os temas, é preciso gerir tudo muito bem”.

Isto porque “para avançarmos com a matéria com uns, temos que colocar os outros a trabalhar, correndo o risco de sermos chamados, entretanto, para tirar alguma dúvida”, refere. Além disso, “há sempre o risco de um dos lados se distrair com o que se passa do outro lado”.

Contudo, não esconde que acaba por ter, também, as suas vantagens. “No meu caso, sei que os alunos do 3º ano, pelo menos aqueles mais interessados e empenhados, vão chegar ao 4º ano com outras bases, porque foram apanhando alguma da matéria”.

NECESSIDADE DE FALTAR

Nesta escola há duas turmas, 22 alunos e duas professoras. Quando uma delas precisa de faltar, a outra assume as duas turmas. “Este ano não aconteceu muitas vezes, felizmente”, afirma Arminda Almeida, explicando que “quando sabemos que vamos faltar, comunicamos ao Agrupamento de Escolas de Santa Marta de Penaguião para tentar arranjar quem nos substitua. Se não houver essa possibilidade, temos que assumir as duas turmas, o que já aconteceu”.

“O grande problema é constituir as turmas, porque não temos alunos”
ROSA CARDOSO
DIRETORA AE SANTA MARTA
DE PENAGUIÃO

Quando assim é, “deixamos um plano para a colega tentar cumprir, com atividades autónomas. No dia seguinte, faz-me uma consolidação do conteúdo e tiram possíveis dúvidas”, salienta.

“Há pelo menos uma escola na zona do Porto em que os alunos têm aulas todos juntos, sem olhar a anos de escolaridade, e tem os seus pontos positivos. No nosso caso, é visto como algo mau”, admite Rosa Cardoso, diretora do AE Santa Marta de Penaguião, confessando que “o meu problema é constituir as turmas, porque não temos alunos”.

POUCOS ALUNOS

Estima-se que são cerca de 10% as escolas do 1.º ciclo com menos de 20 alunos. 

Segundo o movimento Missão Escola Pública, e de acordo com os dados disponíveis na Infoescolas, referentes ao ano letivo 2021/2022, e considerando apenas as escolas públicas, serão cerca de 350 as escolas com menos de 20 alunos, de um total que ronda 3.300 estabelecimentos. 

Na região de Trás-os-Montes e Alto Douro, também de acordo com a Infoescolas, no ano letivo 2022/2023, havia 22  escolas com menos de 20 alunos matriculados.


ESCOLAS COM MENOS DE 20 ALUNOS EM 2022/2023

  • EB Fontes (Santa Marta de Penaguião)
  • EB São João de Lobrigos (Santa Marta de Penaguião)
  • EB Freixo de Numão (Vila Nova de Foz Côa)
  • EB Pegarinhos (Alijó)
  • EB Vilar de Maçada (Alijó)
  • EB Bustelo (Chaves)
  • EB Mairos (Chaves)
  • EB Vila Verde da Raia (Chaves)
  • EB Cabril (Montalegre)
  • EB Campo (Vila Pouca de Aguiar)
  • EB Lebução (Valpaços)
  • EB Bemposta (Mogadouro)
  • EB Chacim (Macedo de Cavaleiros)
  • EB Morais (Macedo de Cavaleiros)
  • EB Ervedosa (Vinhais)
  • EB Penhas Juntas (Vinhais)
  • EB Izeda (Bragança)
  • EB Parada (Bragança)
  • EB Santa Comba de Rossas (Bragança)
  • EB Palaçoulo (Miranda do Douro)
  • EB Pereira (Mirandela)
  • EB Seixo de Manhoses (Vila Flor)

 


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