É o caso da recente “polémica” entre uma “socialite da nossa política” e uma apresentadora de televisão que tem por hábito, no final das suas intervenções, usar a expressão “Até amanhã, se Deus quiser”.
Não acredito que essa impressionável senhora não haja proferido, na sua vida de múltiplos e amplos contactos sociais, uma das muitas expressões que mergulham nas raízes da cultura religiosa de um povo e que, através de gerações, se tornaram hábito despretensioso na relacionação das pessoas, professem elas princípios sagrados da sua espiritualidade ou, até, sejam ateias.
“Deus queira”, “Deus me livre”, “Deus lhe pague”, “Valha-nos Deus”, “Graças a Deus” ou a referida “Se Deus quiser” são algumas das expressões que traduzem vários tipos de sentimentos em relação a outrem, desde os esperançosos aos de compaixão. E se mais não for, decerto essa senhora do “jet set político” terá dito um dia “Adeus” a alguém.
Exclamar “Meu Deus!” não é só um usufruto linguístico português. Em filmes ou em séries televisivas é habitual ouvirmos essa mesma expressão (“My God”, “Oh, my God”) muitas vezes claramente repetida no argumento, face a situações de surpresa, de espanto, de dor ou desânimo.
Dizer “Até amanhã se Deus quiser” também. É uma fórmula (com que se “formula” um desejo, o de nos voltarmos a ver) inocente, simples, afetiva, que só pessoas desalinhadas (educacionalmente carenciadas em termos psicológicos) contestam, evidenciando todo o tipo de “guerras de alecrim e manjerona”, tal como já aconteceu antes, a contestar o tratamento de “Querida” pelos pais em relação às suas filhas; ou recriminar e pretender proibir os beijos das crianças aos seus avós.
Lembrando Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”.





