Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

Uma Região “movida” com o “empurrão” das energias limpas

Há 25 anos seis municípios uniram-se para aproveitar os recursos naturais, abundantes na região que os abraçava. 25 anos depois a aposta provou ser a acertada… as receitas continuam a “brotar” na força água e a “correr” com a velocidade do vento, sempre em prol do desenvolvimento económico e social do Alto Tâmega. Quanto ao futuro? É certo que ainda existe potencial a explorar

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A partir de uma história que começou em 1990, com a criação de uma mini-hídrica, a sociedade Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso, S.A. (EHTAB) gere hoje um património produtor de energias limpas capaz de “alimentar” de eletricidade uma cidade de 130.000 habitantes.

Pioneira no campo das energias renováveis, e pelo sucesso que tem tido, a EHATB ainda hoje “constituiu um acontecimento inédito no país, não havendo conhecimento de um outro da mesma natureza”.

O início da cooperação das autarquias do Alto Tâmega, nomeadamente Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar, começou na sequência das iniciativas legislativas de liberalização do setor, que permitiram, no final da década de 80, a produção direta de energia elétrica através de recursos renováveis (que até àquela data era detida em regime de monopólio pela EDP).

O primeiro passo depois da criação da empresa aconteceu com a necessidade de dar apoio técnico à construção do Aproveitamento Hidroelétrico do Rio Alvadia e mais tarde com a construção do Aproveitamento Hidroelétrico de Bragadas. “Ano após ano a empresa foi crescendo, com a entrada em funcionamento de vários centros eletroprodutores com aproveitamento da energia eólica”, explicou à VTM Amílcar Almeida, presidente da Câmara Municipal valpacense e atual presidente do conselho de administração da empresa (cargo rotativo).

Atualmente os Aproveitamentos Hidroelétricos e Parques Eólicos pertencentes à empresa, ou com participação dos seis municípios e geridos pela empresa, localizados apenas no Alto Tâmega, totalizam 92,2 MW de potência instalada, produzindo cerca de 225.000.000 KWh/ano, ou seja, o equivalente ao consumo anual de eletricidade de um aglomerado populacional de cerca de 130.000 habitantes.

Além de três centrais hidroelétricas, o património inclui já dez parques eólicos, contabilizando-se na região um total 240 aerogeradores, 43 dos quais com participação dos seis municípios e os restantes instalados por outros promotores.

O Parque Eólico do Alvão, em Vila Pouca de Aguiar, é o de maior potência instalada, com 22 mil KW e do qual resulta uma fatura de mais de 4 milhões de euros anuais. Em termos de rentabilidade, a hidroelétrica de Alvadia, no concelho de Ribeira de Pena, é a que se segue na lista, “retirando” do Rio Poio 10 mil KW, que se traduzem em cerca de 1,8 milhões de euros anualmente.

No que respeita aos dividendos, a sua distribuição é efetuada nos termos do Código das Sociedades Comerciais pelos municípios acionistas e também no que respeita ao desenvolvimento das atividades de desenvolvimento económico pela empresa, através da celebração de contratos programa por cada um dos municípios acionistas.

Segundo Amílcar Almeida, as receitas produzidas pela EHATB, “bem como as receitas a que os seis municípios têm direito pela sua participação social nas outras empresas participadas diretamente por eles, têm dado um contributo muito relevante para o desenvolvimento do Alto Tâmega, representando os dividendos distribuídos, por uma e por outras, uma fatia importante para os orçamentos municipais”.

“A organização e participação em atividades indutoras do desenvolvimento regional e local, designadamente de eventos de promoção de produtos e serviços, permitiram trazer um acréscimo significativo de rendimento à população do Alto Tâmega”, testemunhou o autarca sobre os investimentos feitos às pensas das energias renováveis na região.

Parques eólicos têm potencial

Relativamente ao futuro próximo da EHATB, o presidente do conselho de administração explicou que, no que concerne à energia eólica, “não existem projetos em carteira para avançar de imediato”, no entanto sublinhou que a empresa tem “terrenos alugados, com excelente potencial eólico, que permitirão, no futuro, se a legislação se tornar mais favorável, poder ampliar alguns dos atuais parques, bem como implementar novos”.

Também a aposta na energia hidroelétrica traz alguns entraves que limitam as ambições da empresa neste tipo de aproveitamentos. “Não só não existem disponibilidades de utilização de água em condições rentáveis como este tipo de aproveitamentos coloca também alguns problemas de natureza legislativa e ambiental”, referiu Amílcar Almeida.

Mas quando se fala de energias limpas, outras fileiras surgem no horizonte, nomeadamente a solar, a geotérmica, a biomassa ou o biogás, áreas que não estão postas de parte pela sociedade, como sublinhou autarca. “Atualmente não temos nenhum projeto relacionado com estas energias renováveis, mas poderemos equacionar investir nestas áreas, se vier a reunirem-se condições favoráveis que as tornem mais atrativas sob o ponto de vista da sua rentabilidade económica, designadamente ao nível das tarifas fixadas para a venda da energia produzida”.

Seja qual for o projeto que abrace no futuro, a EHATB, classificada como “uma mola inquestionável na economia da região”, deixa a certeza “de continuar a aplicar os seus rendimentos no fomento do desenvolvimento local e regional, melhorando a qualidade de vida dos munícipes e potenciando os fatores de atratividade ao Alto Tâmega”.

 

Amílcar Almeida, presidente do Conselho de Administração da EHATB

 

“O objetivo que então presidiu a esta iniciativa foi a de aproveitar esses recursos naturais, abundantes na região, para gerar receitas que pudessem ser utilizadas pelos municípios na promoção do desenvolvimento económico e social do Alto Tâmega. De facto a constituição desta empresa, com o sucesso que tem tido, constituiu um acontecimento inédito no país, não havendo conhecimento de um outro da mesma natureza”.

 

Portugal na liderança

 

Segundo o compromisso assumido por Portugal no seio da União Europeia, o nosso país terá que garantir, em 2020, que 60 por cento da eletricidade consumida seja produzida a partir de fontes renováveis.

No seu site, a EDP explica ainda que o nosso país “fixou o 5º objetivo mais ambicioso entre os países membros”. “Trata-se de uma meta de aplicação transversal, abrangendo os setores dos transportes, sistemas de aquecimento/arrefecimento e produção de eletricidade. É, no entanto, este último que terá de fazer o maior esforço de incorporação de fontes de energia renováveis”, refere a empresa.

Dados do Anuário de 2015 da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), revelam que existem em Portugal cinco centrais a biomassa, uma central de ondas, 231 centrais eólicas, 40 grandes centrais hídricas com, 93 pequenas centrais hídricas, 12 centrais solares fotovoltaicas e 2 centrais geotérmicas, ou seja “um total de 384 centrais renováveis com uma potência de 10.683 MW”.

Recentemente a Comissão Europeia publicou o relatório sobre os progressos realizados para atingir os objetivos em matéria de energias renováveis para 2020, um documento que “indica que a União Europeia está no bom caminho para” atingir a quota dos 20 por cento.

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