O presidente da NERVIR, Mário Rodrigues, assumiu esse desafio como prioridade, defendendo que o território não pode continuar dividido em pequenas estratégias municipais sem uma visão conjunta para o Douro. “Somos desafiados a termos uma voz unificada para a nossa região, de alinhar do ponto de vista estratégico as empresas com o poder local e esse é o caminho para termos uma região muito mais coesa e economicamente mais forte”, afirmou.
O dirigente empresarial alertou que o Douro corre o risco de continuar a discutir os mesmos problemas durante décadas se não forem tomadas medidas concretas. “Se nada fizermos nos próximos anos estaremos aqui a falar sobre as mesmas questões e sobre as mesmas dores. Temos de executar, colocar em prática e alterar indicadores económicos”, sublinhou.
Nesse sentido, Mário Rodrigues revelou que está em preparação uma agência regional de captação de investimento, numa primeira fase envolvendo sete municípios da região. “É um trabalho que tem de ser feito a nível regional e não municipal. Há vontade de alinhar esforços, agora é preciso fazer acontecer”, afirmou, defendendo ainda que as empresas devem fazer parte ativa da construção das soluções para o território.
Cooperação
Uma das ideias mais repetidas durante o fórum foi precisamente a necessidade de criar estruturas permanentes de cooperação entre municípios e empresários. O antigo ministro da Economia Braga da Cruz considerou que o país continua excessivamente centralizado e lamentou a ausência de uma verdadeira regionalização administrativa.
“Aquilo que mais lamento não ter acontecido depois do 25 de Abril foi não se ter criado a autarquia regional. Portugal teria desenvolvido capacidade para pensar estrategicamente o que era importante fazer em cada território”, afirmou.
Braga da Cruz defendeu que os problemas do interior exigem respostas conjuntas e uma maior capacidade de organização regional. “Todos os problemas que temos pela frente são problemas complexos. Acho muito bem que empresários e autarcas se juntem e criem fóruns permanentes para refletir, considerar problemas e resolvê-los. Isso só pode trazer resultados positivos”, acrescentou.
Também Isabel Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Bragança, insistiu na importância do investimento privado para garantir futuro ao interior. A autarca recordou que sem emprego qualificado será impossível atrair e fixar população nos territórios de baixa densidade.
“Precisamos de massa crítica, precisamos de mão-de-obra e para isso temos de criar emprego diversificado. O investimento privado é muito importante porque é ele que verdadeiramente cria emprego”, afirmou.
A presidente da autarquia brigantina mostrou-se preocupada com a crescente concentração de investimento público e privado na Área Metropolitana de Lisboa, alertando para o risco de agravamento das desigualdades territoriais. “Nós temos mesmo de ter políticas diferenciadoras para o interior. Caso contrário, o investimento vai sempre para onde já existem infraestruturas, massa crítica e mão-de-obra. Isso é desequilibrar cada vez mais o país”, defendeu.
Na mesma linha, o presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Alexandre Favaios, defendeu que os municípios precisam de abandonar lógicas de competição entre si e construir respostas conjuntas para o território. “Temos de deixar de competir entre nós. Não é Vila Real, não é Chaves, não é Peso da Régua, somos todos. Todos temos a ganhar com uma nova organização interna”, afirmou.
Alexandre Favaios defendeu igualmente uma reorganização administrativa do país e mostrou-se favorável à regionalização. “Precisamos de algo agregador, que defenda uma visão comum e transversal para o território”, afirmou.
O encerramento da manhã esteve a cargo do secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, que reconheceu a importância do tecido empresarial para o futuro do interior. “O futuro do interior será alicerçado nas condições económicas e para isso as empresas são parceiros fundamentais”, afirmou.
O governante admitiu que os territórios do interior precisam de políticas específicas e garantiu que o Governo está a preparar um conjunto de medidas direcionadas para essas regiões. “Mais do que palavras, o interior precisa de ação”, sublinhou.
Ao longo do fórum ficou evidente um consenso entre empresários, autarcas e responsáveis políticos: o futuro do Douro dependerá da capacidade de união entre instituições, da criação de estratégias comuns e da implementação de medidas concretas que permitam gerar riqueza, captar investimento e travar a perda de população no interior do país.





