A iniciativa, integrada no projeto SHIFT2DigitalGreen, constituído pelo consórcio ISQ, TECMinho, CTCV – Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro e Universidade de Aveiro, pretende “trabalhar a questão da transição digital e verde e, sobretudo, apoiar as PME a conhecerem melhor este conceito ligado à sustentabilidade e ao ESG” – acrónimo que em inglês significa Environment, Social & Governance, em português, práticas Ambientais, Sociais e de Governança corporativa/empresarial -, explica Joaquim Barbosa, do ISQ e gestor do projeto.
Academia e empresas
A sustentabilidade empresarial, a transição verde e digital e os desafios da implementação dos critérios ESG estiveram em destaque na iniciativa que reuniu empresas, entidades públicas, instituições financeiras, academia e estudantes, promovendo o debate sobre as mudanças que estão a transformar o tecido empresarial.
“Quem não se adaptar não vai acompanhar o processo de mudança. Isto representa uma mudança de paradigma”
CARLOS AFONSO
UTAD
O docente da UTAD e investigador do CITAB, Carlos Afonso, destacou a importância de aproximar o meio académico das empresas e das instituições que intervêm nos processos de inovação, financiamento e desenvolvimento regional, explicando que o objetivo do encontro passou por criar um “ecossistema” capaz de ligar diferentes áreas, desde a banca à organização territorial, passando pelos parques de ciência e tecnologia, permitindo aos estudantes contactar diretamente com exemplos práticos de empresas que já estão a aplicar modelos de sustentabilidade.
“O racional da estratégia foi termos num primeiro painel os convidados mais focados na componente do enquadramento e depois, numa segunda parte, trazer casos de sucesso e boas práticas de empresas que operam a nível nacional e internacional”, afirmou Carlos Afonso.
O seminário, de acordo com o professor, pretendeu sensibilizar empresas e futuros profissionais para a crescente importância dos critérios ESG, que considerou serem já incontornáveis na gestão empresarial. “Quem não se adaptar não vai acompanhar o processo de mudança. Isto representa uma mudança de paradigma”, referiu, acrescentando que “a sustentabilidade já não é apenas ambiental, é também a sustentabilidade da própria empresa”, afirmou, apontando áreas como a economia circular, a redução da pegada carbónica e a reutilização de materiais como exemplos de transformação em curso.
Quantificar
Joaquim Barbosa sublinha que “o ESG tem como objetivo quantificar parâmetros que permitem traduzir a sustentabilidade em decisões, mudanças e melhoria de processos”, defendendo que as empresas são hoje avaliadas não apenas pela sua sustentabilidade financeira, mas também pelo impacto ambiental e social da sua atividade.
“Não deve ser visto apenas como um reporte. É um processo que traz valor para a empresa”
JOAQUIM BARBOSA
ISQ
Segundo o responsável, um dos principais fatores que está a acelerar esta transformação prende-se com as exigências das cadeias de valor e dos mercados internacionais. Apesar de muitas pequenas e médias empresas não estarem diretamente obrigadas a cumprir determinadas diretivas europeias, acabam por ser pressionadas pelas grandes empresas para fornecer informação relacionada com sustentabilidade, energia, resíduos ou pegada carbónica.
Destaca, ainda, o potencial estratégico associado a estes processos. “Isto não deve ser visto apenas como um reporte. É um processo que traz valor para a empresa”, afirmou o gestor do projeto SHIFT2DigitalGreen.
Capacitação e Investimento
A vice-Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-Norte), Gabriela Leite, marcou presença no seminário, tendo sido uma das oradoras do primeiro painel, com o tema “Financiamento, inovação e política pública”. Realçou que “os jovens estudantes têm um papel muito importante naquilo que vem a ser o nosso país”. A responsável da CCDR-Norte acrescentou que “é urgente e necessário termos pessoas capacitadas nas empresas, além de termos empresas que atraiam talentos jovens e com capacitação técnica para desenvolver o território”.
No segundo painel da iniciativa, esteve Marisa Costa, Head of Sustainability at MysticInvest Holding, que resume o ESG ao “equilíbrio entre três grandes pilares: o económico, social e ambiental”. No caso particular do grupo em que trabalha, que detém, por exemplo, a e mpresa Douro Azul, “tudo o que fazemos é monitorizado e se não cumprirmos os parâmetros que estão definidos a nível europeu e internacional, ficamos sujeitos a penalizações e não podemos operar”. Por isso, “ao nível oceânico, houve uma melhoria dos nossos navios e houve um retrofitting, uma adaptação das tecnologias existentes com vista a uma maior eficiência energética e à descarbonização, e isso requer investimento”.
No entanto, Marisa Costa assume que “temos de investir, porque a economia passa a funcionar em prol do ambiente, mas também em prol das pessoas. Tem de haver um equilíbrio”.
O seminário contou com a presença de responsáveis do novobanco, do Régia Douro Park, da CCDR-Norte, da Casa Mendes Gonçalves, da MysticInvest e da Águas do Norte.








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