A poucos dias de mais uma edição daquela que considera ser “a principal prova do ano” do automobilismo nacional, o piloto murcense vive dias de expectativa, mas também de alguma incerteza técnica.
Depois de uma época marcada pela utilização do Hyundai Elantra TCR, com que compete no CPV, Daniel Teixeira aguardava, à altura em que o entrevistamos para este trabalho, a chegada de componentes essenciais para garantir a presença do carro em perfeitas condições na prova transmontana.
“Estamos à espera da caixa de velocidades. Tivemos um problema que surgiu em Jarama e estamos a aguardar que as peças sejam entregues. Espero que esteja tudo pronto até Vila Real”, explicou nessa altura.
Apesar da preocupação natural com a vertente mecânica, a aproximação da corrida é vivida com entusiasmo. Para o piloto, não existe no panorama nacional um evento comparável ao Circuito Internacional de Vila Real.
“Considero que é o maior evento da velocidade nacional. Em termos desportivos, acho que apenas o Rali de Portugal estará ao mesmo nível em dimensão. Vila Real é especial pelo circuito, mas sobretudo pela moldura humana que o rodeia. O ambiente que se vive durante o dia e também à noite é único”, afirmou o piloto.
A ligação entre Daniel Teixeira e o público vila-realense é cada vez mais forte. O piloto garante que o contacto com os adeptos nunca é encarado como uma obrigação, mas sim como uma parte fundamental do desporto automóvel.
“Defendo que o automobilismo deve ser pensado para o público. É importante haver proximidade. Tento sempre estar disponível para falar com as pessoas, mostrar o carro e retribuir o carinho que recebo. Faço-o de forma genuína, porque não me custa rigorosamente nada”.
A popularidade ficou bem patente na edição de 2025, quando integrou a grelha do TCR World Tour. Sendo o único piloto português que arrancou para as corridas, foi alvo de uma atenção especial por parte dos adeptos.
“Houve um momento em que tive mesmo de dizer que precisava de entrar no carro. Não é algo a que esteja habituado naquela fase antes da corrida, mas foi um enorme prazer sentir esse apoio”, revela.
Dentro de pista, o desafio continua a ser enorme. Vila Real é conhecido como um dos circuitos citadinos mais exigentes do panorama do automobilismo mundial, onde não existe margem para erros.
“Anda-se muito depressa”, dizo piloto do Hyundai. “Quem está de fora nem sempre percebe a velocidade a que se circula. É um circuito fantástico porque obriga os pilotos a estarem constantemente no limite. Se arriscarmos demasiado, o preço pode ser muito caro”.
Entre os vários pontos emblemáticos do traçado, Daniel Teixeira destaca a primeira curva à esquerda depois da reta de Mateus como a sua favorita. Uma zona do traçado muito rápida e espetacular de ver.
“É uma curva feita com muita coragem. Tem um impacto enorme para quem está dentro do carro e também para quem vê de fora. Depois segue-se uma travagem muito forte para a chicane, o que torna aquele setor particularmente desafiante”, destaca o atleta.
Para o piloto murcense, é precisamente essa exigência que distingue o circuito das restantes pistas nacionais. “Em Vila Real não há grandes escapatórias. Quem anda bem são os verdadeiros pilotos. É um circuito que separa quem realmente consegue explorar os limites de quem depende mais das margens de segurança das pistas permanentes”.
Daniel Teixeira mantém intacta a vontade de regressar ao circuito onde, ano após ano, continua a sentir-se em casa. Afinal, para o piloto transmontano, Vila Real continua a ser o palco mais especial do calendário nacional.



