As ruas de Vila Real voltam a receber o TCR World Tour, a quarta temporada da série de corridas internacional de carros de turismo TCR, sucessora do WTCR. A prova transmontana é a quarta jornada da época, com duas corridas agendadas para este fim de semana.
Santiago Urrutia, Thed Björk, Norbert Michelisz, Yann Ehrlacher e Ma Qing Huasão alguns dos pilotos mais conhecidos pelos adeptos portugueses e que continuam a lutar pelos lugares cimeiros do TCR World Tour. Alguns deles, visitam Vila Real desde o tempo do campeonato do mundo de carros de turismo (WTCC) e são sempre muito bem recebidos em Trás-os-Montes, também tendo boas memórias dos fins de semana que por cá passam.
Thed Björk, por exemplo, é um piloto sueco muito bem ambientado a Vila Real, apesar de ter sido apanhado no acidente memorável que ocorreu na curva após o campo do Abambres, em 2018, quando pilotava um dos Hyundai i30 ndaquele pelotão. Apanhado no incidente naquela curva, o piloto viu o seu carro ter um princípio de incêndio e teve de sair apressadamente do seu interior. Naquela altura, assim como em muitas outras, a rapidez dos comissários de pista na resolução do “choque em cadeia”, fez com que tudo não passasse de um grande susto.
Foi um dos vencedores da edição de 2025, no regresso dos “mundialistas” dos turismos a Vila Real.
EXPERIÊNCIA
Não é só o sueco que bem conhece o traçado do Circuito Internacional de Vila Real. Entre os que mais vezes competiram na capital de distrito, estão Norbert Michelisz, que chegou a ser companheiro de equipa de Tiago Monteiro nassuas múltiplas temporadas ao mais alto nível mundial das competições de carros de turismo. Também Yann Ehrlacher, que começou por visitar Vila Real ainda muito jovem, é agora um dos principais pilotos desta competição, sendo um dos quatro pilotos da Geely Cyan Racing.
O espanhol Mikel Azcona regressa, também, apesar de não estar tão ligado à história recente do circuito vila-realense. Ganhou notoriedade aos comandos de um Hyundai e assim continua, estando na luta pelos melhores lugares da classificação.
O uruguaio Santiago Urrutia, outro piloto da Geely Cyan Racing, esteve imparável em Valência, a segunda ronda da temporada, e regressa, agora, às ruas de Vila Real para um verdadeiro teste às suas capacidades, uma vez que o seu melhor registo aqui é o segundo lugar alcançado na primeira corrida de 2025.
Não podemos esquecer o piloto da casa, que é porventura o homem que mais conhece os segredos do traçado vila-realense e que procura a “vingança” do azar que sofreu no ano passado e que o retirou prematuramente da contenda. Manuel Fernandes Jr. volta a estar entre os melhores do mundo naquela que é a sua pista.
Começou o ano a competir em Espanha, mas com o abrir de portas da Vannin Motorsport no TCR World Tour, o piloto da casa estará aos comandos de um dos Audi RS 3 LMS TCRe tem argumentos para almejar bons resultados.
NOVIDADES
Se entre os pilotos do pelotão do TCR World Tour pouco parece alterar-se entre a visita do ano passado e a de agora, há uma ligeira diferença na maquinaria que usam. O carro que em 2025 venceu ambas as provas em território vila-realense, o Lynk & Co. 03 FL TCR, alterou a designação. Assim sendo, a Cyan Racing, mítica estrutura de competição, que mantém um registo de 30 anos consecutivos no automobilismo com carros das marcas Volvo, Polestar e Lynk & Co., mantém a parceria com o grupo automóvel Geely, que dá nome, também, ao mais recente modelo: o Geely Preface TCR.
O carro de competição mantém-se inalterado naquilo que concerne aos atributos técnicos, derivando do modelo de estrada que teve origem em 2021 e comercializado no mercado chinês. Chegou este ano à competição, mantendo o “pedigree” vitorioso da designação anterior, alcançando o terceiro lugar na sua primeira corrida e a vitória na seguinte.
Uma outra novidade, e que agora dizrespeito ao próprio traçado, é o regresso de uma das características que marcou o CIVR na história do WTCR: a Joker Lap. Inspirada no ralicross, onde todos os pilotos têm que fazer uma parte da pista mais longa, para envolver mais a questão tática, o promotor da altura da taça do mundo de carros de turismo e a organização vila-realense procederam a esta alteração, que teve luz verde da Federação Internacional do Automóvel (FIA), inédita nos circuitos de velocidade mundiais.
Perdeu-se esta característica com o desaparecimento do WTCR e sem a vinda do TCR World Tour, sendo recuperada agora, para a segunda passagem desta série, naquele que é um novo acordo entre Vila Real e o promotor, assinado no ano passado. Assim, cada piloto terá de completar duas passagens pela zona da Joker Lapdurante a corrida, que acontece na curva 22, na rotunda antes da reta da meta. Não podem ser completadas durante as duas primeiras voltas.
O programa competitivo da ronda de Vila Real desta competição conta com duas sessões de treinos livres de 30 minutos, uma qualificação dividida entre uma primeira sessão de 30 minutos e uma segunda de 15 minutos reservada aos 12 pilotos mais rápidos. Incluiu ainda duas corridas de 60 quilómetros.
URRUTIA NA LIDERANÇA
Estão já identificados alguns dos protagonistas da luta pelo título do TCR World Tour, três rondas desde o início da temporada, apesar da passagem por Vila Real poder alterar o figurino. O arranque da época, em Misano, em Itália, revelou um equilíbrio interessante entre a Hyundai e a estreante Geely, mas foi a estrutura chinesa que acabou por sair reforçada das provas seguintes.
Na corrida inaugural da temporada, o triunfo sorriu ao húngaro Norbert Michelisz, da BRC Hyundai N Squadra Corse, depois de o espanhol Mikel Azcona, autor da pole position, lhe ter cedido a liderança nasprimeiras voltas da corrida. A Hyundai parecia então assumir-se como a referência do pelotão, mas a resposta da Geely Cyan Racing não tardou. Na segunda corrida de Misano, o piloto chinês Ma Qing Huaconquistou a primeira vitória absoluta do novo Geely Preface TCR, iniciando uma série de resultados que viriam a confirmar a competitividade do projeto.
A confirmação surgiu na ronda seguinte, disputada no Circuit Ricardo Tormo, em Valência. A equipa dominou praticamente todo o fim de semana e encontrou em Santiago Urrutia o grande protagonista. O piloto uruguaio venceu as três corridas realizadas em solo espanhol, tornando-se no primeiro piloto da história do TCR World Tour a conquistar três vitórias consecutivas numa mesma ronda.
O desempenho permitiu a Urrutia saltar para a liderança do campeonato, chegando à ronda francesa com 140 pontos. Atrás de si, o experiente Thed Björk, companheiro de equipa, a 20 pontos. Mikel Azcona estava na terceira posição, a 29 pontos do líder, mantendo vivas as esperanças da Hyundai.
Mais discreto tem sido o arranque do campeão em título, o francês Yann Ehrlacher. Apesar de continuar a ser uma das principais referências da modalidade, o piloto da Geely Cyan Racing perdeu terreno nasprimeiras provas da temporada e procura recuperar pontos na ronda que antecede a visita a Portugal.
A classificação reflete também a superioridade coletiva da Geely Cyan Racing. O novo Geely Preface TCRmantém a rapidez, consistência e fiabilidade do antecessor, permitindo à formação chinesa assumir um papel dominante nasprimeiras corridas do ano. A Hyundai continua, no entanto, a apresentar argumentos, sobretudo através da experiência de Michelisz e da velocidade demonstrada por Azcona.
Antes da chegada a Vila Real, os pilotos tiveram ainda pela frente o desafio de Paul Ricard, circuito que ajudou a clarificar a hierarquia do campeonato.
Historicamente, Vila Real tem sido um dos palcos mais exigentes e espetaculares do calendário internacional de turismos. O traçado citadino transmontano, com pouco espaço para erros e margens mínimas entre os muros e os carros, costuma produzir corridas intensas e imprevisíveis. É precisamente esse fator que mantém em aberto muitas das contas do campeon ato.
Se a Geely chegar a Portugal com a mesma superioridade demonstrada em Valência, os seus pilotos partirão como favoritos. Contudo, num circuito tão particular como Vila Real, a experiência dos pilotos poderá revelar-se decisiva numa temporada que promete continuar em aberto até às últimas rondas.






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