Está desde 2017 à frente do Clube Automóvel. Como tem sido esta missão?
Tem sido extremamente difícil, mas também tem trazido momentos muito bons. O esforço que a gente dedica durante estes anos todos é compensado com a alegria de poder ver o nome desta instituição projetado no mundo inteiro. E isso é uma alegria muito grande, de ver a nossa pequena cidade e o nosso pequeno clube ser conhecido no mundo inteiro.
Está tudo preparado para a 54ª edição do Circuito Internacional de Vila Real?
É muito difícil dizer que está preparado, mas, posso dizer que está tudo a rolar e as coisas, a seu tempo, vão estar prontas.
Quantos carros e pilotos são esperados nas diferentes provas?
Se tudo correr dentre daquilo que está estimado, serão cerca de 200 carros e mais de 200 pilotos, porque há carros em que correm dois pilotos.
E que provas vão estar em competição?
Vamos ter as provas dos Clássicos e dos Legends, com carros mais antigos, que dão um espetáculo engraçado. Depois vamos ter o regresso do Campeonato de Portugal Velocidade, que este ano está muito forte, com carros extremamente potentes e, de certeza absoluta, vão dar um grande espetáculo. E temos o TCR World Tour, com cerca de 20 carros, com os melhores pilotos de turismo do momento.
O que espera desta edição?
Espero uma das mais bonitas e mais emotivas provas que vamos ter, porque estão criadas todas as condições para um fim de semana de corridas muito competitivo.
A equipa do CAVR é, sobretudo, voluntária. Quantos elementos envolve a organização?
São todos voluntários. Mesmo as equipas de outros clubes que nos vêm ajudar também são à base do voluntariado. São cerca de 500 pessoas, desde trabalho na pista, segurança, delegados técnicos, bombeiros, equipas médicas, comissários, direção de prova. Ou seja, tudo o que está dentro da pista é da responsabilidade do CAVR, mas temos a colaboração da FPAK (Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting) e da FIA (Federação Internacional de Automobilismo).
O que significam para si as Corridas de Vila Real?
Não é possível descrever o que é a paixão por algo. Neste caso, pelas corridas. É algo que não se consegue transmitir em palavras, só mesmo sentindo. E Vila Real tem isso, criou uma paixão nas pessoas que é qualquer coisa fora do normal.
E como um apaixonado por corridas, consegue vivê-las com tanta responsabilidade na organização?
Não é fácil. Até um determinado momento, não conseguimos viver as corridas, porque estamos muito envolvidos na organização, para que nada falhe. Temos essa responsabilidade e há momentos que não temos qualquer hipótese de sentir as corridas, porque é uma cadência de necessidades e de problemas que temos que resolver o mais rápido possível. No último dia, domingo, já conseguimos aproveitar e saborear um bocadinho. Se estivermos de fora, é muito diferente viver esta paixão.
Que recordações tem das corridas no antigo circuito?
Tenho muitas, porque trabalho no circuito desde os meus 12 ou13 anos. Eu pertencia a um grupo de 10 a 15 jovens que tinha como tarefa montar a pista, com aqueles fardos de palha e sacos de serrim, com aquelas redes que se tinham que pôr à volta do circuito. Durante muitos anos fizemos esse trabalho. Mais tarde, passámos para este lado, mas ficaram muitas vivências e boas recordações.
Atualmente há alguma semelhança com as Corridas do antigamente?
Não, por várias razões. As pessoas, praticamente, só viam corridas em Vila Real. Hoje, para a maioria dos apaixonados do automobilismo, é mais fácil ir a outros lugares ver corridas. A forma como se vivia era diferente, mas a paixão é a mesma.
Há algum momento que o tenha marcado mais recentemente?
O momento mais marcante foi quando conseguimos organizar duas provas de campeonato do mundo no mesmo ano. Isso aconteceu durante três ou quatro anos seguidos, em que fizemos o WTCC, o WTCR e o campeonato do mundo de Rallycross, em Montalegre. São momentos que colocam o nome do clube numa faixa muito elevada. É um clube que vive de voluntariado, sem qualquer profissional, o que demonstra grande profissionalismo.
Isso torna este clube especial?
É especial pelo facto de sermos amadores, mas na execução das tarefas somos autênticos profissionais. E é isso que define o clube.
Como descreve a equipa que trabalha no CAVR?
Temos um bocadinho de tudo. Temos gente apaixonada pelo clube, que vive isto intensamente e que dá tudo o que pode dos seus tempos livres para o servir. Isso faz toda a diferença.
E como descreve os três dias de corridas para a vossa equipa?
São dias de muito trabalho, muita canseira e preocupação. Há elementos da equipa que dormem muito pouco ou nada. E quando os carros começam a rolar na pista, estão todos lá, atentos a tudo. Muitos fazem isto por paixão, alguns tiram férias do seu trabalho para virem ajudar o clube nas corridas. É algo de valor e único.
Como está o CAVR a nível financeiro?
Está numa situação estável e controlada. Passou por uma fase complicada, quando iniciámos o primeiro mandato. Neste momento, felizmente, o clube sobrevive, sem dívidas.


