Sexta-feira, 10 de Julho de 2026
Entrevista“Temos o objetivo de aumentar o retorno para a economia”

“Temos o objetivo de aumentar o retorno para a economia”

A poucos dias do arranque do 55.º Circuito Internacional de Vila Real, Alexandre Favaios, presidente da Câmara de Vila Real, acredita que “se podem ultrapassar as 200 mil” pessoas no conjunto do fim de semana em todo o concelho

Quais são as expectativas do município para esta edição do Circuito Internacional de Vila Real?

As expectativas são muito elevadas, mas também com sentido de responsabilidade. O Circuito Internacional de Vila Real é, para nós, muito mais do que um evento desportivo. É uma marca da cidade, uma afirmação da nossa identidade e uma montra de Vila Real para o país e para o mundo.

Esperamos uma edição com grande adesão do público, com corridas competitivas, com uma cidade viva e preparada para receber bem todos os que nos visitam. Queremos que quem chega a Vila Real encontre uma organização segura, uma programação cultural atrativa e, acima de tudo, o ambiente único que só este Circuito consegue criar.

Quais são as novidades?

A grande nota é a consolidação. Depois do regresso das grandes competições internacionais, nomeadamente do TCR World Tour, esta edição confirma Vila Real como uma etapa importante no calendário internacional dos carros de turismo.

Destaco também o reforço do programa desportivo, com sete categorias em competição, quatro provas de clássicos, o Campeonato de Portugal de Velocidade, o TCR World Tour e o regresso do formato Joker Lap, que dá sempre um espetáculo especial ao público. A isto juntam-se os desfiles de Porsche, dos Supercarros e uma componente cultural forte, com concertos e animação que fazem do Circuito uma verdadeira festa da cidade.

Quais são os principais desafios na preparação do evento?

O maior desafio é sempre transformar um concelho vivo num circuito internacional durante alguns dias, garantindo simultaneamente segurança, mobilidade e respeito pela vida quotidiana dos vila-realenses.

Estamos a falar de um circuito citadino, montado em ruas onde, durante o resto do ano, circulam pessoas, transportes, comércio e serviços. Isso obriga a uma articulação muito fina entre município, organização, forças de segurança, bombeiros, proteção civil, entidades desportivas, voluntários, juntas de freguesia, comerciantes e moradores. É um trabalho invisível para muitos, mas absolutamente decisivo para que tudo corra bem.

Como tem sido a relação com a população durante a preparação da prova?

Tem sido uma relação de proximidade e diálogo. Sabemos que o circuito implica alguns constrangimentos para os moradores, sobretudo ao nível da circulação, do ruído e das alterações à rotina da cidade, e por isso procuramos trabalhar esses aspetos com antecedência.

Todos os anos realizamos uma reunião com os moradores, envolvendo o Município, a Associação Promotora e o Clube Automóvel de Vila Real. Temos ouvido as preocupações que nos fazem chega reajustado, ano após ano, vários aspetos da organização, sempre que isso é possível.

O objetivo é minimizar incómodos, encontrar soluções equilibradas e garantir que o circuito continue a ser vivido como uma grande festa da cidade.

Foram realizados mais investimentos na questão da segurança?

A segurança é uma prioridade absoluta. Num circuito citadino, cada detalhe conta: as barreiras, os acessos, as zonas de público, a evacuação, os meios de socorro, a proteção civil, a circulação pedonal, os transportes e a coordenação operacional.

Todos os anos avaliamos o que correu bem e o que pode ser melhorado. Este ano voltámos a trabalhar com as entidades competentes e reforçamos procedimentos, melhoramos a resposta operacional para garantir que pilotos, equipas, moradores e espectadores vivam o evento com confiança. O objetivo é simples: ter uma grande festa, mas uma festa segura e bem organizada.

Que impacto espera que o evento tenha na economia do concelho?

O impacto é muito significativo e é visível. O circuito enche hotéis, restaurantes, cafés, lojas e serviços. Durante estes dias, Vila Real recebe milhares de visitantes, equipas, pilotos, comunicação social, patrocinadores e aficionados do desporto automóvel.

Mas o impacto não se mede apenas nos dias do evento. Mede-se também na projeção que fica, naspessoas que regressam mais tarde, na divulgação do concelho, do Douro, da nossa gastronomia, do nosso comé rcio e da nossa capacidade de organização. É por isso que dizemos que o circuito é um evento âncora para a Região e em particular para Vila Real.

Qual a estimativa do número de visitantes durante o fim de semana?

Trabalhamos sempre com a expectativa de receber muitas dezenas de milhares de pessoas ao longo dos três dias. A referência que temos de edições anteriores e das previsões associadas ao evento aponta para números que podem ultrapassar as 200 mil presenças no conjunto do fim de semana.

Mais importante do que fixarmos apenas um número é garantir que a cidade está preparada para acolher bem quem nos visita.

O circuito é um evento âncora para a Região e, em particular, para Vila Real”

Que objetivos estratégicos tem o município para o CIVR?

Temos três grandes objetivos. O primeiro é garantir estabilidade e continuidade, porque um evento desta dimensão precisa de planeamento a médio prazo. O segundo é reforçar a projeção nacional e internacional de Vila Real, associando a cidade à excelência organizativa, ao turismo e ao desporto motorizado. O terceiro é aumentar o retorno para a economia local e para a comunidade.

Queremos que o circuito continue a ser um evento de referência, mas também que deixe valor em Vila Real: nos negócios, na promoção turística, na notoriedade da cidade, no orgulho dos vila-realenses e na formação de novas gerações ligadas ao desporto, ao voluntariado e à organização de grandes eventos.

Existe a ambição de receber campeonatos com maior projeção internacional?

Vila Real tem sempre ambição. Mas temos também sentido de responsabilidade. O TCR World Tour já traz a Vila Real uma projeção internacional muito relevante e coloca-nos num calendário competitivo e exigente.

O nosso caminho é consolidar primeiro aquilo que temos, cumprir bem, reforçar a confiança dos promotores e mostrar que Vila Real tem condições para continuar a receber grandes provas. Naturalmente, estaremos sempre disponíveis para estudar novas oportunidades, desde que sejam compatíveis com o circuito, com a segurança, com o concelho e com o interesse estratégico do Município.

Como imagina o Circuito Internacional de Vila Real daqui a dez anos?

Imagino um circuito ainda mais forte, mais sustentável, e mais integrado na vida do concelho. Um circuito que continue a emocionar quem gosta de automobilismo, mas que seja também uma grande experiência urbana, cultural, turística e económica.

Daqui a dez anos, gostava que o Circuito Internacional de Vila Real continuasse a ser aquilo que sempre foi: uma prova única, feita num concelho único, com um público único. Mas gostava também que fosse reconhecido como exemplo de organização, segurança, inovação e envolvimento comunitário.

Que importância têm os voluntários e instituições locais para o sucesso da organização?

Têm uma importância decisiva. Sem voluntários, associações e instituições locais, o circuito não seria possível na dimensão que conhecemos. São centenas de pessoas a trabalhar antes, durante e depois do evento, muitas vezes longe dos holofotes, mas essenciais para que tudo funcione.

Falo dos comissários, dos bombeiros, das equipas médicas, da proteção civil, das forças de segurança, das associações, dos clubes, das juntas de freguesia, dos trabalhadores municipais e de muitos cidadãos que dão tempo, energia e conhecimento à cidade. O circuito é internacional na projeção, mas é profundamente local e profissional na forma como se constrói.

O que gostaria que os visitantes encontrassem quando chegarem à cidade?

Gostaria que encontrassem uma cidade acolhedora, organizada e orgulhosa da sua identidade. Que encontrassem boas corridas, boa gastronomia, os nossos covilhetes, as nossas cristas, ruas cheias de energia e pessoas disponíveis para receber bem.

Mas gostaria também que descobrissem Vila Real para além da pista: o centro histórico, o Palácio de Mateus, os percursos naturais, a nossa ligação ao Douro, a cultura, os sabores e a hospitalidade. O circuito é muitas vezes a porta de entrada, mas queremos que a experiência vá muito além do automobilismo.

Que mensagem deixa antes da edição de 2026?

A todos deixo uma palavra de gratidão e de confiança. Aos pilotos e equipas, desejo uma excelente prova e que sintam a emoção de competir num circuito único. Aos patrocinadores e parceiros, agradeço a confiança num evento que projeta Vila Real, valoriza o território e nos coloca como Capital do Automobilismo.

Aos voluntários, instituições e trabalhadores envolvidos, nomeadamente aos da Associação Promotora do Circuito Internacional de Vila Real e do Clube Automóvel de Vila Real, deixo um agradecimento muito especial, porque são eles que tornam possível esta organização. Aos espectadores, peço que vivam o circuito com entusiasmo, mas também com responsabilidade, respeitando as indicações de segurança e ajudando-nos a fazer desta edição um sucesso.


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