Terça-feira, 19 de Maio de 2026

“Vamos ampliar a zona industrial e criar mais emprego”

Vice-presidente desde 2013, Guilherme Pires assumiu a presidência da autarquia este mês, após Fernando Queiroga tomar posse como deputado na Assembleia da República. O autarca destaca a proximidade com a população como chave para o sucesso, mas mostra-se preocupado com a dificuldade em atrair e fixar população

CONTEÚDO PATROCINADO >

O país foi recentemente a eleições e, com a vitória da AD, o presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga, foi eleito deputado pelo Círculo de Vila Real. Com isto o senhor assumiu a liderança da autarquia. Quais são as suas expectativas para este novo desafio?

As expectativas são muito grandes. Estou há 11 anos, quase 12, como vice-presidente e vereador da Câmara Municipal de Boticas. Acredito nas potencialidades do nosso concelho e acredito que será um desafio para mim (assumir a autarquia), mas é um desafio para o qual eu já estava preparado e estou pronto para isso.

Considera que este executivo tem respondido às necessidades da população?

Acredito que sim, porque o nosso lema sempre foi a proximidade e o comprometimento. Ou seja, procuramos sempre estar próximos dos cidadãos. Os nossos serviços são bastante céleres e muito próximos. Exemplo disso é que, ao contrário do que acontece em outras câmaras, não temos horário para receber os munícipes. Estamos disponíveis para recebê-los todos os dias da semana. Daí a nossa proximidade e o comprometimento com o bem-estar dos cidadãos e com o desenvolvimento do concelho.

Boticas tem como slogan “Sedução da Montanha”. O que há de sedutor no concelho para quem nele vive, trabalha e para quem nele se quer fixar?

Eu costumo dizer que em Boticas é tudo sedutor, só nos faltam mais pessoas. Temos as nossas paisagens, a nossa gastronomia e, sobretudo, a nossa maneira de bem-receber. Os botiquenses têm esse sentimento português de bem-receber e toda a gente fica admirada com a nossa maneira de receber as pessoas, que se sentem em casa. Há pessoas que nos visitam pela primeira vez, que têm contacto com a nossa comunidade, com as nossas aldeias, com as nossas paisagens, com a nossa gastronomia e, de uma hora para a outra, estão a perguntar-nos se não há uma casinha para comprar. Apaixonam-se logo. Eu costumo dizer às pessoas que se vão seduzir pelo nosso concelho e no fim dão-nos o testemunho de que sim, é verdade. O nosso território admira muitas pessoas que nos visitam. Quando pensam em Boticas, pensam numa vila pequena, no norte do país, e depois, quando têm a coragem de nos visitar, apaixonam-se mesmo.

Acabou de dizer que o que falta em Boticas é população. Atualmente, Boticas tem cerca de cinco mil habitantes. Se recuarmos a 2011, são menos 750 habitantes. Como é que justifica esta perda de população?

A perda de população justifica-se de forma fácil. Da nossa população, 65% tem mais de 65 anos. E os nossos idosos são mesmo idosos, são rijos. Normalmente, atingem os 90 anos, alguns os 100 anos. É claro que quando há óbitos repercutem-se muito. Eu até costumo dizer que um óbito em Boticas equivale, se calhar, a mil ou dois mil óbitos em Lisboa e isso sente-se muito na nossa população. Somos poucos e basta faltar um para se notar. É claro que também nos preocupamos com os jovens, mas é difícil cativá-los, porque vão para as universidades, tiram os cursos e, efetivamente, querem bons empregos, a condizer com as licenciaturas, e no concelho de Boticas não conseguimos dar resposta a isso. No entanto, temos feito um esforço para atrair mais empresas. Estamos, neste momento, em vias de ampliar a nossa zona industrial para mais de 36 lotes, precisamente para atrair novas empresas, criar mais empregos e, dessa forma, tentar que os nossos jovens consigam ficar em Boticas. Essa é uma das nossas maiores preocupações.

Essa ampliação da zona industrial consiste em quê? Que tipo de empresas vai ter?

Empresas de todo o tipo, desde serviços, a comércio e a obras públicas e privadas. Já temos pedidos nesse sentido.

E que medidas são implementadas para apoiar a população mais idosa, que é a grande maioria?

Para a população mais idosa nós temos várias iniciativas. Uma delas chama-se “Dar vida aos anos envelhecendo”, que é um projeto onde praticam desporto, onde vão às piscinas, onde vão fazer visitas a diversos locais, onde fazem ginástica. Acaba por ser um convívio entre eles. É um projeto que tem sido replicado em outros municípios do país e que já foi premiado. Também não deixamos de ter atenção à saúde das pessoas. Como somos poucos conhecemo-nos todos e isso é uma vantagem, porque estamos atentos às necessidades uns dos outros. Temos também um projeto no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), associado ao Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), para reconstruirmos algumas casas. Neste caso, vamos ajudar na reconstrução e melhoria das condições de 18 habitações destinadas a pessoas necessitadas.

As candidaturas para essas casas, como é que são feitas? É necessário algum tipo de contexto social?

Sim. As pessoas têm de ter um determinado tipo de rendimentos. Depois, nós ajudamos com as candidaturas. Como sabemos das dificuldades da nossa população, assumimos esse encargo e ajudamos as pessoas a fazerem as candidaturas. É mais um exemplo da nossa proximidade.

Boticas surge como um dos municípios onde há mais incentivos à população como, por exemplo, o apoio da natalidade, implementado pelo município em 2009. Sente que esta medida tem contribuído para fixar a população?

Sabemos que esta medida, isoladamente, não é razão para os casais terem mais filhos, mas é um sinal que damos à nossa população de que estamos permanentemente em busca da melhoria das condições de vida no nosso concelho, ajudando, à sua dimensão, para a fixação dos jovens casais no nosso concelho. É uma forma dos jovens terem mais orgulho na nossa terra e encontrarem aqui o apoio necessário e o bem-estar para constituírem família, ajudando-os a tomar a decisão de terem filhos mais cedo. São sinais como este que demonstram a nossa preocupação e nos aproximam ainda mais da nossa população. Para além deste apoio, atribuímos também 50 euros mensais aos bebés até aos três anos de idade, para ajudar a suportar custos com bens essenciais ao seu desenvolvimento, como sejam fraldas, papas, etc.

É um miminho que ajuda sempre e que é do agrado dos jovens pais.

Na sua opinião, o que seria necessário para fixar e atrair mais população jovem para Boticas?

Essa é, de facto, uma pergunta de difícil resposta. Quem tiver a resposta para essa pergunta se calhar tem que patenteá-la. No imediato, a resolução deste problema tem que passar pela criação de emprego, que é determinante para que os jovens se fixem no nosso concelho. Temos que pensar, também, na melhoria e reforço da conectividade digital. Para isso, é necessário levar as infraestruturas de fibra a todas as aldeias do município e reforçar a capacidade da fibra na sede do concelho, porque cada vez mais as atividades estão dependentes de internet com estabilidade e velocidade. Há muitos jovens que já nos transmitiram que não se importavam de viver em Boticas, até porque muitos fazem trabalho remoto, mas ainda há muitas limitações em termos de velocidade da internet, o que condiciona de forma significativa esse trabalho. Parece uma coisa simples, mas é bastante mais complicada. Neste momento, estamos a trabalhar no sentido de aumentar a conectividade digital no concelho. Claro que este trabalho terá sempre que ser reforçado com a criação de condições para a instalação de empresas no nosso concelho, que permitam criar postos de trabalho, o que estamos a fazer, por exemplo, com a atração de novas empresas para a nossa zona industrial e para o concelho.

Qual é a barreira que impede a colocação de fibra em Boticas?

A barreira é precisamente a distância e o reduzido número de utilizadores. Boticas está longe dos grandes centros, das grandes redes e tem uma área muito grande quando comparada com o número de habitantes, o que torna mais cara a infraestruturação de rede. Mas temos que encarar a ligação à internet de alta velocidade como um serviço essencial ao desenvolvimento dos territórios. O problema é fazê-la chegar a zonas como a nossa, porque são precisos milhares de quilómetros de linha, sendo que estamos a falar de um concelho com 322 km².

Há um apoio da autarquia às aldeias do concelho, onde é possível aos habitantes efetuarem os pagamentos, nomeadamente da segurança social e da EDP e também é possível marcar consultas para o centro de saúde. Como é que funciona esse processo?

No concelho de Boticas os transportes públicos são muito reduzidos. As pessoas para virem à vila, para levantarem a reforma ou aviar uma receita médica, só de táxi. Nesse sentido, temos duas carrinhas, da câmara municipal, com duas funcionárias, que levam vários serviços às aldeias, evitando que as pessoas tenham que se deslocar à vila para tratar de certos assuntos. É um serviço semanal e as pessoas já sabem em que dia é que a carrinha passa.

O município tem apostado também em vários eventos, quer ao nível do automobilismo como gastronómico. Considera que estes eventos têm efetivamente um retorno para a economia local?

Acredito que sim. Além de trazerem gente ao concelho, também mostram Boticas ao resto do mundo. Nós temos a consciência de que, quando falamos em Boticas praticamente todas as pessoas sabem onde é. Eu lembro-me, quando era jovem e estava a estudar fora do concelho, quando dizia que era de Boticas, tinha que dizer que era perto de Chaves.

Agora já não é necessário. Quando digo que sou de Boticas, já sabem que é no Norte.

Nós sabemos que um segundo de publicidade na televisão, ou nos meios de comunicação social, vale muito dinheiro, mas penso que todo o dinheiro investido para divulgar o nome e a marca Boticas é bem investido. Nós temos muito orgulho em ser Património Agrícola Mundial, por exemplo, e vale a pena a publicidade, porque cada vez mais temos que estar presentes no mundo, não basta estar só na região.

Aproveitando que falou do selo de Património Agrícola Mundial. Que mais-
-valias tem esse selo para o território, tendo em conta que é partilhado com Montalegre?

Nós acreditamos que tem um valor enorme, até porque em Portugal é único. E mesmo no mundo são raros. Nós fomos dos primeiros a ter este selo, que distingue os espaços que têm realmente valor e são únicos na humanidade. É um selo que nos deixa orgulhosos, ainda mais porque foi uma atribuição que dependeu da nossa forma de ser. Neste caso, é a agricultura que é património e quando se pensa na agricultura pensa-se numa agricultura feita pelas nossas gentes, com os nossos métodos, com a nossa forma de trabalhar, com o nosso comunitarismo. As nossas paisagens foram feitas por nós. Isso, com certeza, deixa-nos muito orgulhosos e é também um fator de divulgação do concelho e valorização do território.

E qual é o impacto da agricultura para o concelho de Boticas?

A agricultura ainda tem muito impacto. Mas será porque a maior parte da população se dedica à agricultura? Estatisticamente não, até porque alguns são agricultores de outra atividade. Mas pode-se dizer que a maior parte ainda se dedica à agricultura, não como atividade principal, mas como forma de subsistência. A agricultura é importante, também porque são os agricultores que gerem as paisagens, que são Património Agrícola Mundial.

Se não fossem eles, não teríamos este selo e os lameiros não estariam tão bem limpos, como se fosse um relvado. Eu digo isto porque, às vezes, as pessoas esquecem-se e quando falam em paisagens pensam logo nos humanos como destruidores da paisagem e da natureza. No nosso caso, no Barroso, em Boticas e Montalegre, o nosso património advém mesmo da nossa maneira de fazer as coisas. E se as nossas paisagens estão assim, é porque existem pessoas todos os dias a cortarem mato, a fazerem limpezas e a gerirem o território.

Mas sente que a exploração de lítio na região coloca em causa este selo?

Claramente que sim, porque se nós somos todos natureza, se nós somos todos paisagem, uma mina tem tudo de não natural na paisagem. É uma ferida que se abre na paisagem e acredito que sim, que pode colocar em causa o selo de Património Agrícola Mundial, por isso é que temos a opinião que temos sobre o lítio, ou seja, somos contra.

Uma vez que estamos a falar de paisagem e de natureza. O município e o Regimento de Infantaria 19 renovaram o protocolo de vigilância da floresta. Considera que este acordo é uma mais-valia para o concelho?

Com certeza. Nós temos que proteger a floresta e evitar os incêndios, que são a nossa maior calamidade. Às vezes, as pessoas pensam num grande risco sísmico, mas no nosso caso os incêndios são aquilo que mais nos preocupa. E quanto mais pessoas houver no território a vigiar ou proteger a natureza, menos incêndios haverá e melhor será, neste caso, para Boticas.

Relativamente à gastronomia, o fumeiro é igualmente uma marca do concelho, mas a verdade é que há cada vez menos produtores. Como é que tem sido lidar com isto?

Nós temos incentivado os produtores, desde logo, através da nossa Feira do Fumeiro, que nasceu precisamente com esse objetivo. Temos fumeiro de qualidade e isso é inquestionável. Somos, aliás, elogiados pelo nosso cozido. A grande dificuldade que há é que a produção de fumeiro é uma atividade muito trabalhosa e os jovens querem outro tipo de ocupação. Há menos produtores, porque os mais velhos deixam de ter forças para continuar com esta atividade, que é muito dura e trabalhosa, porque tudo é feito de forma artesanal, obrigando a muita dedicação e trabalho permanente. Há jovens que procuram manter esta tradição e acabam por fazer da produção de fumeiro uma atividade secundária. Só que é uma atividade mesmo muito trabalhosa, que obriga a dedicação durante todo o ano, ocupando muito tempo e sendo difícil conciliar com outros trabalhos.

Presidente, e sobre as obras que foram feitas no concelho. Quais é que considera mais importantes, estando elas já concluídas ou não?

Todas as obras são importantes, desde que contribuam para melhorar a qualidade de vida e o dia a dia da nossa população. Há pequenas intervenções realizadas nas nossas aldeias que assumem uma grande importância para as pessoas que ali vivem, embora nem sempre se lhes dê a adequada relevância. Temos um conjunto de equipamentos desportivos, culturais e recreativos que, à sua maneira, transformaram o nosso concelho numa terra aprazível, que desperta paixões, admirada por quem aqui vive e por quem nos visita. Todas as obras e todos os investimentos têm um propósito, contribuindo, no seu todo, para o desenvolvimento do nosso concelho. Ao mesmo tempo, aproveitamos todas as oportunidades e todos os financiamentos para melhorarmos as nossas infraestruturas e o dia a dia dos botiquenses, como é exemplo a recuperação de alguns dos arruamentos de maior circulação, que este ano, ao abrigo do PRR, nos permitirão fazer um investimento de mais de 15 milhões de euros.

E por falar em obras, qual é o ponto de situação da requalificação da envolvente à Estrada Nacional 312, que liga Sapiãos e Boticas?

Essa é uma obra que está na base de uma candidatura. Vamos requalificar a parte dos passeios, não a própria estrada em si, porque essa está com um piso relativamente bom. O que vamos fazer é requalificar a parte dos passeios, porque cada vez mais as pessoas gostam de passear e pediram-nos que fizemos essa intervenção. É uma obra que está em fase de iniciação.

Por último, como é que está a situação financeira da autarquia?

A situação financeira da nossa autarquia é um exemplo para o país. Temos sido distinguidos como um município com contas exemplares. No ranking do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses temos ficado bem qualificados. No distrito somos o melhor município a nível financeiro. Podemos dizer que a nossa autarquia é saudável em termos financeiros.

Outros Artigos

“Tabuaço Casa Acessível” pretende melhorar acesso à habitação

No início deste ano, o município de Tabuaço lançou o programa “Tabuaço Casa Acessível”, que pretende melhorar o acesso à habitação no concelho, sobretudo para as famílias cujo nível de rendimento não lhes permite aceder a uma casa adequada às suas necessidades

Raça Barrosã cada vez mais valorizada pela qualidade

No concelho de Montalegre, tem vindo a aumentar o número de criadores e também de efetivo desta raça autóctone. Atualmente, existem cerca de 2.500 animais adultos (fêmeas e machos), e só no ano passado registaram-se 1.577 nascimentos.

Requalificação do Parque de Campismo dá lugar ao Eco Park

Arrojado, inovador, atrativo e projetado para responder às tendências de mercado e expectativas dos turistas atuais, a criação do Vila Flor Ecopark assenta numa estratégia de qualificar a oferta com o compromisso de sustentabilidade ambiental, económica e social.

Cultura e turismo de mãos dadas

Situado no coração da vila de Boticas, o Centro de Artes Nadir Afonso é considerado uma das mais importantes instituições culturais do concelho e um pilar fundamental para o desenvolvimento turístico local.

Boticas Parque uma porta de entrada no concelho

O Boticas Parque - Natureza e Biodiversidade, situado no concelho de Boticas e que abrange as freguesias de Vilar, Codessoso e Beça, é um centro de natureza e biodiversidade que promove o turismo sustentável, a educação ambiental e a valorização dos recursos locais.

28 bolsas de estudo entregues a alunos do Ensino Superior

Os alunos abrangidos por esta medida receberam, no ano passado, um apoio financeiro no valor de mil euros, para fazer face às despesas associadas aos estudos. Este apoio, dado pela autarquia, pretende criar condições para que os mais jovens possam prosseguir com os seus estudos.