InícioMondim de BastoVereador reclama “estado de calamidade pública”

Vereador reclama “estado de calamidade pública”

Uma paisagem a “preto e branco” é o que se pode encontrar no concelho de Mondim, que na semana passada foi um dos mais afetados pelos incêndios. Com mais de três mil hectares de área ardida, culturas agrícolas destruídas, uma habitação consumida pelas chamas, entre muitos outros prejuízos, o vereador do CDS na Câmara pede agora a classificação como “estado de calamidade pública”. Ontem o presidente reuniu com o ministro da Administração Interna

Lúcio Machado, vereador do CDS-PP na Câmara Municipal de Mondim de Basto, pediu publicamente, no dia dois, que seja declarado como “estado de calamidade pública” os prejuízos resultantes do grave incêndio que arrasou o concelho na última semana.

O vereador lembrou que “os últimos incêndios deixaram hectares de floresta, baldios e municipais, assim como terrenos agrícolas, completamente dizimados, colocando o concelho numa clara imagem de preto e branco, com enormes impactos ambientais e económicos”.

Assim, por uma “questão de solidariedade e coesão territorial”, Lúcio Machado reclama “a declaração de estado de calamidade pública”, uma medida que “pode ajudar a minimizar os danos causados e facilitar a recuperação ambiental e económica”.

No mesmo dia o presidente da Câmara Municipal mondinense, Humberto Cerqueira, revelou que estava já agendada, para ontem, a realização de uma reunião com o ministro da Administração Interna para avaliar as consequências e prejuízos do grande incêndio que afetou o concelho.

Até à hora de fecho desta edição do Nosso Jornal não foi possível saber as conclusões da reunião, no entanto, antes do encontro, o autarca explicou que o objetivo foi saber “exatamente quais os mecanismos de apoio” que poderão ser disponibilizados às populações afetadas.

De recordar que, durante quatro dias, um incêndio queimou uma vasta área de mato e pinhal no concelho de Mondim de Basto, estimando-se que tenham sido destruídos cerca de 3.000 hectares só de floresta.

Humberto Cerqueira sublinhou a gravidade da situação explicando que em causa poderão estar postos de trabalho ligados a esta área e que muita da área ardida servia de sustento para muitas famílias, que usavam esse espaço para o pastoreio.

Referindo ainda as “culturas agrícolas, redes de abastecimento de água, infraestruturas de telecomunicações e energia” que foram destruídas, o autarca garantiu que a câmara está disponível para ajudar em pequenas situações, mas defendeu que “há um conjunto de situações para as quais o município não tem mecanismos e disponibilidade financeira” para resolver.

“Foi destruída pelos fogos uma área significativa de paisagem e habitats no Parque Natural do Alvão, insubstituíveis e cruciais para a existência de turismo no território de Mondim de Basto”, revelou a autarquia em comunicado.

O levantamento provisório dos prejuízos permitiu identificar a destruição de uma habitação (que deixou quatro pessoas desalojadas) vários anexos agrícolas, estábulos, explorações apícolas, vinhas.

Deflagrado na última terça-feira, em Fervença, o incêndio ameaçou várias aldeias tendo exigido o empenhamento de mais de três centenas de bombeiros de todo o país, militares da Guarda Nacional Republicana e do exército.

 

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