Quinta-feira, 23 de Abril de 2026
RegiãoVia ferrata nas Fragas do Poio

Via ferrata nas Fragas do Poio

É um autêntico convite à aventura, a instalação de equipamento em metal que tem características de montanha. Terá um comprimento de cerca de 600 metros e será colocado nos pontos mais inacessíveis das fragas telúricas do rio Póio, na freguesia de Alvadia, concelho de Ribeira de Pena. A iniciativa é da Câmara Municipal, que terá como instituição parceira a Junta de Freguesia de Alvadia e o Penaventura Park. Em paralelo a este projeto, está na calha a criação do Parque Natura de Alvadia e do Mirapoio.

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A zona natural do rio Póio vai ser dotada de um conjunto de intervenções que irão potenciar este espaço a nível do turismo de natureza. Já foi realizada uma candidatura ao Programa de Desenvolvimento Rural-PRODER – Subprograma 3 – Dinamização de Zonas Rurais, que contempla um Plano de Intervenção do Parque Natura de Alvadia e do Mirapoio, na mesma freguesia. O projeto de construção já foi aprovado e também já foi dada a autorização para a abertura do concurso público. Ao todo, estas obras deverão rondar os 300 mil euros, que terão a comparticipação de fundos comunitários.

Em paralelo, vai desenvolver-se uma outra iniciativa que passa pela colocação de uma via ferrata nas fragas do rio Poio, ou seja, será montada uma estrutura de ferro/aço na rocha que permite escalar de forma facilitada zonas que de outra forma seriam inacessíveis. São ferros em “U” cravados na rocha, formando o que se chama uma “escada de bombeiros”, e ao lado dessa estrutura segue um cabo de aço travado, onde irá deslizar o mosquetão que faz parte de um equipamento de proteção individual. Terá cerca de 600 metros de comprimento e vencerá um desnível de cerca de 400 metros. O Penaventura Park é uma das partes interessadas e já está a colaborar no projeto. Um dos seus administradores, Artur Cardoso, adiantou, ao Nosso Jornal, alguns pormenores sobre esta nova oferta turística. “A implantação desta via ferrata é uma boa notícia para a região e para o Turismo do Norte de Portugal. Terá características únicas e constituirá uma das maiores da Europa. A sua instalação sobre um curso de água, o seu traçado e a envolvência da paisagem, irá permitir ter aqui um produto de diferenciação no âmbito do turismo natureza, que é dirigido a um público-alvo muito específico. Ao mesmo tempo, irá valorizar a prática do canyoning e de outras atividades de montanha”.

O potencial de atividade desta via ferrata poderá atingir as 3 a 4 mil pessoas, salvaguardando contudo que “não interessa, à oferta em si, uma presença massiva de pessoas, dada a zona sensível que abrange”. Aliás, um dos cuidados que Artur Cardoso defende está ligado diretamente à instalação da via ferrata. “Vamos tentar que ela passe despercebida na paisagem e não constitua um elemento agressor, ou seja, deverá ficar pouco impactante”, sublinhou.

A via oferecerá vários níveis de dificuldade para o público, mas a segurança será sempre um dos requisitos. O administrador do Penaventura Park espera que, dentro de 3 a 4 meses, seja possível a utilização da via ferrata das fragas do rio Poio.

A via-ferrata teve origem na Europa durante a segunda Guerra Mundial, com a necessidade das tropas passarem com maior rapidez pelas montanhas. Para o efeito, foram elaboradas algumas vias com ajuda de cabo de aço e outros artifícios como degraus de ferro (tipo agrafos presos à rocha) para a passagem dos soldados. Na década de 70, estas vias foram aperfeiçoadas e começaram a ser usadas para o turismo, proporcionando aos turistas e aos leigos em montanhismo a possibilidade de percorrerem uma via pela montanha com total segurança.

 

Parque Natura de Alvadia

e Mirapoio

 

Além da via-ferrata, duas outras intervenções irão valorizar o rio Poio. Trata-se da construção do Parque Natura de Alvadia e de um miradouro, o Mirapoio, duas obras que terão o cuidado de preservar o espaço natural.

O presidente da Junta de Freguesia de Alvadia, Fernando Afonso, adiantou, ao Nosso Jornal, alguns pormenores sobre estes dois projetos, num investimento que ronda os 300 mil euros, comparticipados por fundos comunitários. “O Parque Natura de Alvadia estará inserido numa área lindíssima e integrando a Rede Natura 2000. O projeto aponta para a criação de uma zona de lazer, novo acesso ao rio Póio, implantação de bancos, um bar e casas de banho, e irá preservar o leito e as margens do rio, além da arborização autóctone existente, nomeadamente carvalhos”.

O miradouro Mirapoio será construído numa estrutura de ferro e madeira, e terá uma posição dominante sobre as fragas do rio Poio, em particular sobre as suas formidáveis quedas de água. Além deste pormenor, a vista a atingir do local não terá fim e o visitante desfrutará de paisagens únicas sobre o vale de Cerva.

A Câmara Municipal de Ribeira de Pena é a instituição “chapéu” destes projetos e promotora das intervenções. A aposta no turismo ambiental e na valorização dos recursos naturais tem sido um traço forte do executivo de Agostinho Pinto. Depois da beneficiação de uma das zonas ribeirinhas de Cerva, com a criação da praia fluvial e do parque de Bragadas, o investimento na zona do rio Poio representa a “cereja no topo do bolo”, numa oferta cada vez mais diversificada em termos de turismo natureza.

 

Aventura na natureza

 

Devido ao seu declive, o rio Poio possui características únicas. Nasce em Alvadia, concelho de Ribeira de Pena, na Serra do Alvão, passando por Cabriz, Alvite, Cerva, e desagua em Casas Novas, no rio Louredo, afluente do rio Tâmega. É dos poucos rios do distrito ainda com troço natural, com águas cristalinas. Nos meses mais quentes do ano, o Póio é muito procurado por turistas e banhistas, que se deliciam nas suas piscinas naturais. Junto dos praticantes de canoagem radical e montanhismo, o rio é reconhecido como um dos melhores de Portugal. Possui a emblemática cascata natural “Cai d`Alto”, em que água do rio se precipita de uma altura de várias dezenas de metros. Tem ainda um dos canyonings mais extensos e técnicos do Continente e com áreas para a prática como rappel fora das zonas de cascata. A sua pequena bacia hidrográfica, além de testemunhos molinológicos, possui um açude com uma área de 29,9 km. Tem também algumas espécies piscícolas de águas frias, nomeadamente trutas e escalos.


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