Dezenas de pessoas formaram, no dia quatro, um cordão humano na Praça do Município de Vila Real para assinalar o Dia Mundial do Cancro, uma efeméride que na capital de distrito ficou ainda marcada por uma Sessão de Esclarecimento sobre diversas temáticas ligadas à doença oncológica.
“Os medos continuam a ser imensos, mas o nosso objetivo é que eles diminuam, para que as pessoas encarem a doença de uma forma muito mais tranquila, muito mais calma, e que também possam aderir de uma forma muito mais positiva aos tratamentos”, sublinhou Ana Rita, da Unidade de Psico-Oncologia da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC).
A psicóloga esteve em Vila Real para responder às questões e dúvidas lançadas pelos cidadãos através da linha precisofalardocranco@gmail.com e para desfazer alguns mitos que ainda persistem relativamente à doença.
Segundo a mesma responsável, ainda existem muitos mitos, “principalmente na primeira fase, na fase em que as pessoas recebem o diagnóstico da doença oncológica”. “Mas, em conjunto com uma equipa multidisciplinar, esses tabus, esses falsos mitos, acabam por se superar e as pessoas conseguem adaptar-se de uma forma muito assertiva à doença”, defendeu.
Foi exatamente para sensibilizar a população que a Câmara Municipal aderiu ao repto lançado pela LPCC, através da Associação Laços P’ra Vida, uma organização vila-realense criada com a “missão de apoiar o acompanhamento de pessoas com doenças oncológicas e seus familiares”.
Segundo Eugénia Almeida, vice-presidente da autarquia, o objetivo foi “pôr as pessoas a falar sobre o cancro”, isso tendo em conta que “a promoção da saúde e a adoção de medidas preventivas está diretamente relacionada com uma população informada e sem medo ou ansiedade associada a mitos amplamente disseminados sobre a doença oncológica”.
“O objetivo foi também dar a conhecer a Laços P’ra Vida, uma associação local que tem desenvolvido um bom trabalho na luta contra o cancro e na sensibilização das pessoas para um problema que tem formas de prevenção”, explicou a vereadora.
Maria de Lurdes Amaral, presidente da Associação, referiu que atualmente a Laços P’ra Vida conta com mais de 900 associados e apoia todas as pessoas que recorrem ao Centro Oncológico de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Além de disponibilizar gratuitamente consultas de psicologia, a associação ajuda os doentes mais carenciados, ao fornecer próteses, perucas e outros equipamentos de forma gratuita ou a preços muito mais acessíveis que no mercado. “Temos também uma residência, cedida há cinco anos pela autarquia, que permite que doentes que sejam de fora possam pernoitar enquanto fazem o tratamento no centro hospitalar”, recordou ainda Maria de Lurdes Amaral, renovando o apelo para que as pessoas que o necessitem entrem em contacto com a associação.
Segundo a Liga Portuguesa, o Dia Mundial do Cancro é uma iniciativa da União Internacional de Controlo do Cancro, e foi instaurado “numa tentativa de criar oportunidade” das associações se fazerem ouvir, “focando diversas temáticas ligadas à doença oncológica”.
“A incidência de cancro tende a aumentar. Todos os anos, cerca de 8 milhões de pessoas morrem de cancro e muitas destas mortes podem ser evitadas com maior apoio governamental e financiamento para programas de deteção, prevenção e tratamento”, defende a organização, advertindo que “a menos que sejam tomadas medidas urgentes para aumentar a conscientização sobre o cancro e desenvolver estratégias práticas para lidar com a doença, milhões de pessoas vão continuar a morrer”.
Liga Portuguesa disponibiliza a “Linha Cancro”
A LPCC disponibiliza a todos os cidadãos “uma linha de apoio à pessoa com cancro”, uma iniciativa que tem como objetivo “informar e apoiar o doente e a sua família ou amigos”.
Através do número 808 255 255 ou do endereço de correio eletrónico linhacancro@ligacontracancro.pt, é possível esclarecer dúvidas e obter informações “em aspetos que digam respeito à doença, às associações existentes, aos direitos dos doentes e instituições ou centros de tratamento”.
Garantindo o “acompanhamento em todas as fases do processo terapêutico”, a linha é suportada por “uma equipa constituída por técnicos especializados, enfermeiros e psicólogos, com formação na área da oncologia”.


