DIOGO CÃO
Diogo Cão foi um navegador português do século XV. Terá nascido em 1440 e 1486 terá sido o ano da sua morte. Esta informação é meramente indicativa, porque não há registos exatos sobre a data do seu nascimento e da sua morte.
Também não se sabe ao certo as suas raízes e ligações a Vila Real, mas alguns historiadores acreditam que pertencesse a uma família radicada em Vila Real. Aliás, na Praça do Município, existe uma casa onde supostamente ele viveu com a sua família.
Navegador de elevada craveira, efetuou importantes viagens de reconhecimento da costa ocidental africana e foi o primeiro navegador português a servir-se de marcos de pedra para assinalar o itinerário da passagem dos seus navios, deixando dois marcos por viagem.
Ao chegar à foz do rio Zaire, Diogo Cão julgou ter alcançado o ponto mais a sul do continente africano (Cabo da Boa Esperança, inicialmente chamado Cabo das Tormentas). Contudo, na verdade, o mesmo viria a ser dobrado pela primeira vez, por Bartolomeu Dias, poucos anos depois.
Ainda nessa primeira viagem, Diogo Cão chegou à enseada de Lucira Grande, hoje em dia designada Baia de Moçâmedes, na região de Namibe, em Angola.
Na segunda expedição, que aconteceu de 1485 a 1487, terá chegado ao Cabo da Cruz, na Namíbia, altura em que introduziu a utilização dos padrões de pedra, em vez das cruzes de madeira, para assinalar a presença portuguesa nas zonas descobertas.
Depois destas duas expedições, não há documentação sobre o que lhe terá acontecido. Há alguns historiadores que dizem que poderá ter morrido ou caído em desgraça.
HEITOR CRAMEZ
Heitor Cramez nasceu em S. Dinis, Vila Real, a 1 de dezembro de 1889. Morreu em Mira (Coimbra), em 30 de agosto de 1967.
Em Vila Real, estudou na Escola de Desenho Industrial, tendo terminado o liceu no ano letivo de 1904/1905, com a classificação de 18 valores. Face aos resultados obtidos foi incentivado pelo diretor desse estabelecimento de ensino, Nuno de Novais Júnior (1888-1906), a seguir Belas Artes.
Já no Porto, frequentou a Academia Portuense de Belas Artes, onde foi aluno dos mestres José de Brito e de Marques de Oliveira. Em 1914 concorreu ao lugar de pensionista do Estado, na classe de Pintura, ou seja, tentou ter financiamento para estudar e criar.
No ano seguinte, iniciou provas do concurso, mas, depois de selecionado, só foi para Paris em 1919, devido a atrasos motivados pela primeira Guerra Mundial (1914-1918).
Em Paris, foi discípulo do pintor francês Fernand Cormon (1845-1924), companheiro de artistas portugueses como Diogo de Macedo, Abel Manta, Francisco Franco e Dórdio Gomes.
Em 1925, Heitor Cramez terminou o pensionato (uma espécie de bolsa de estudo) no estrangeiro e realizou a sua primeira exposição no Ateneu Comercial do Porto. Quatro anos mais tarde, juntamente com Miguel Barrias, cofundou no Porto a Escola Nacional de Desenho, uma empresa de ensino por correspondência.
Em 1930, o artista transmontano iniciou uma carreira no ensino, durante a qual lecionou em Vila Real, na Escola Comercial e Industrial de “José Júlio Rodrigues”, primeiro como professor provisório (1930), depois como professor agregado, entre 1932 e 1938. No Porto, deu aulas na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis e na Escola de Belas Artes do Porto (1948-1959).
Em 1959, jubilou-se e foi distinguido com o Grau de Oficial da Ordem de Instrução Pública.
Produziu inúmeras paisagens, muitas delas transmontanas, naturezas mortas e retratos, usando uma paleta rica em cores e uma pincelada geometrizante. Viajou pelo Oriente, nomeadamente por Macau. Casou com Madeleine Bizoulier, de quem teve um filho, João José Bizoulier Cramez.
CARVALHO ARAÚJO
José Botelho de Carvalho Araújo foi um oficial da Marinha Portuguesa. Apesar de ter nascido no Porto, a 18 de maio de 1881, passou a infância em Vila Real. Frequentou a Academia Politécnica do Porto, onde realizou os exames que lhe permitiram entrar na Escola Naval em 12 de outubro de 1899.
Em 1911 foi eleito deputado por Vila Real à Assembleia Constituinte da República. Quatro anos depois, foi eleito deputado pelo círculo de Penafiel nas listas do Partido Democrático.
Em janeiro de 1917 foi nomeado governador do distrito de Inhambane, em Moçambique, onde se manteve até junho de 1918 e onde elaborou “um notável” relatório acerca da Administração do Distrito de Inhambane, que seria publicado pelo Ministério das Colónias, após a sua morte, em 1920, e reeditado um século depois, em 2019.
Ficou célebre por ter conseguido, no comando do caça-minas NRP Augusto de Castilho, proteger o paquete São Miguel, que viajava do Funchal para Ponta Delgada com mais de 200 passageiros e 54 tripulantes a bordo, evitando que ele fosse afundado por um submarino alemão, que era comandado pelo experiente Lothar von Arnauld de la Perière, em 14 de outubro de 1918.
Num confronto que durou cerca de duas horas, o comandante Carvalho Araújo e seis dos seus homens morreram, já que o caça-minas Augusto de Castilho, depois de saqueado pelos alemães, foi afundado com cargas explosivas. No entanto, o comandante Carvalho Araújo garantiu a fuga e sobrevivência de todos os tripulantes e passageiros do São Miguel.
Morreu com apenas 37 anos, a 14 de outubro de 1918. Em 1931, Vila Real prestou-lhe uma homenagem ao dar o seu nome à principal avenida da cidade e ao construir um monumento nessa mesma avenida, a Carvalho Araújo. A obra é do escultor Anjos Teixeira e foi inaugurada em 1931, em homenagem a José Botelho de Carvalho Araújo, 1.º Tenente da Armada.
ADELINO SAMARDÃ
José Herculano Stuart Torrie de Almeida Carvalhais nasceu na freguesia de São Pedro (Vila Real) no dia 7 de março de 1987 e faleceu no Campo Grande (Lisboa) a 2 de março de 1961.
Stuart Carvalhais foi um artista multifacetado, que fez carreira como pintor, desenhador, ilustrador, caricaturista, autor de banda desenhada e artista gráfico. Dedicou-se também à fotografia, decoração, cenografia e ao cinema.
Passou parte da infância em Espanha e regressou a Portugal em 1891. Frequentou o Real Instituto de Lisboa (1901-1903) e trabalhou como pintor de azulejos no ateliê de Jorge Colaço (1905).
Stuart Carvalhais foi, sobretudo, um autodidata. A sua primeira experiência nos jornais é como fotógrafo e publicou os primeiros desenhos no jornal “O Século”, em 1906. Em 1911 é um dos responsáveis pela revista humorística “A Sátira”, tendo colaborado na fundação da Sociedade de Humoristas Portugueses.
Em 1912-13, esteve alguns meses em Paris, sobrevivendo precariamente e colabora como ilustrador no jornal “Gil Blas”. Em 1914, colabora no jornal satírico monárquico “Papagaio Real”, que na altura tinha a direção artística de Almada Negreiros.
Começa a dar forma à sua banda desenhada pioneira, designada “Quim e Manecas” (1915-1953), que foi a série mais longa da BD portuguesa, com mais de 500 episódios. Essas duas personagens dão origem ao primeiro filme cómico português (1916), onde o próprio Stuart desempenha o papel de pai de Manecas.
Os anos de 1920 correspondem à época de maior sucesso de Stuart, com a direção do “ABC a Rir”, publicando também trabalhos em revistas e jornais. Nesta altura, não tinha mãos a medir, porque as encomendas eram muitas.
A partir daqui, a sua atividade gráfica diversifica-se, incluindo os postais ilustrados, diversos trabalhos para o Bristol Clube e a casa de edição musical Sasseti. Vence dois prémios em concursos internacionais (Itália e Espanha) e tem uma pintura na decoração do café “A Brasileira”, no Chiado (1925).
Em 1932 realiza, na Casa da Imprensa, a sua única exposição individual; em 1948 é-lhe atribuído o prémio Domingos Sequeira na exposição do SNI.
A 30 de março de 1950, casou em Queluz com Fausta da Silva Moreira, com quem já vivia há décadas e de quem teve um filho, Raul Carvalhais.
Trabalhou para o teatro como cenógrafo e figurinista. E também experimentou a realização em cinema, desdobrando-se ainda como ator, decorador, cenógrafo e gráfico.







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