Contudo, há Datas e datas. As primeiras são as que revelam e relevam factos grandiosos de consciencialização cívica coletiva. Não são meros aniversários. São reflexos da grandiosidade de um povo. Em todos os países do mundo há sempre uma data que põe em evidência o espírito unitário e heróico das suas gentes, no decorrer das muitas eras da sua História. Até os concelhos reservam um dia do ano para celebrar o seu “Dia do Município”. As segundas são episódicas e efémeras, resultam de um facto que atingiu a emotividade das pessoas, mas que depressa se esqueceu e perdeu à medida que a História desenha novos contornos ligados à notoriedade dos seus acontecimentos. As gerações nascem, sucedem-se e desaparecem e a memória dos factos também.
Habituámo-nos a celebrar datas importantes que, entretanto, já ninguém celebra. Hoje, muitos desconhecem a data da fundação da nossa nacionalidade, da batalha de Aljubarrota ou da descoberta do Brasil, perante outros que acham impensável que essas referências se hajam diluído, mesmo nos bancos da escola. Porque foram para eles referências obrigatórias. Retratos do vanglorio nacional. Outras datas nem sempre são consensuais, ainda que historicamente importantes: o 1º de dezembro da Restauração, o 5 de outubro da República, o 28 de maio do Estado Novo, o 25 de abril da Democracia.
Em que lugar caberá, então, a celebração do 1º de maio? Uma data de feriado para quem trabalha ou um momento de reflexão e de identificação para os trabalhadores?
Celebrado na maior parte dos países do mundo, há cada vez mais razões para dignificar o dia do trabalhador e do trabalho. O trabalho dignifica, sustenta, protege e o trabalhador sempre foi, é e continuará a ser o meio que promove e valoriza a nossa História que, sem ele, seria também efémera, triste, vazia e inútil.
O “Dia do Trabalhador” é tanto mais importante quanto o Trabalho tem à sua volta, cada vez mais, tantos problemas de afirmação.




