Sexta-feira, 7 de Maio de 2021

“A Epordouro é grande demais para viver só de maquias”

Na zona industrial de Sabrosa existe um empreendimento fora do comum, cujos produtos são exportados para a Europa, América e África. Falamos de quem produz, de uma forma inovadora mas que não esquece os saberes tradicionais, mil pipas de vinho e 150 mil litros de azeite por ano.

Além das regiões centro e norte de Portugal, também o Brasil, Cuba, México, Suíça, Rússia, Luxemburgo, França, Moçambique e Angola conhecem, consomem e esgotam os produtos da Epordouro, uma empresa transmontana, fixada em Sabrosa, produtora de Vinho e Azeite que, na sua larga maioria, é exportado. O projeto iniciou-se em janeiro de 2011, ideia de dois irmãos de Cabeda (Alijó), Hermínio e Manuel Morais, que assumem ter sido “praticamente criados em lagares de azeite”.

 

das obras públicas ao vinho e azeite

Começaram por trabalhar em empresas de obras públicas, setor que teve o seu ponto de retrocesso. Abandonaram esse ramo e viraram-se para os vinhos e para o azeite, tudo com investimento próprio.

Desde cedo optaram por se focar no mercado externo, nomeadamente na América latina, conquistando México, Cuba e Brasil, países para os quais mais exportam. “Não é difícil exportar para essas regiões, mas é preciso um produto de qualidade para vingar nesses mercados. Aliás, agora somos nós próprios quem faz a distribuição nesses locais”, revela Hermínio Morais, acrescentando que a nova aposta é “o mercado africano”, onde este empreendedor projeto já emprega oito pessoas. “Eles são um povo consumidor de álcool. Esse desígnio vai-se alterando de país para país. Angola e África do Sul consomem muito azeite. Moçambique, por exemplo, já não. Mas com força e persistência vamos conseguir chegar lá. Existem muitos outros países que não conheciam o produto e hoje são dos maiores consumidores, como é o caso da Rússia”, explica.

 

Duplicar a produção

Em termos de produção, o lagar produz entre 75 a 125 mil toneladas de azeite anualmente (valor que quer duplicar já no próximo ano) e mil pipas de vinho, mas chega a comprar a granel outras tantas e a ideia é aumentar. “Vamos comprar mais azeitona, em particular nas zonas onde ela é o ex-líbris, como na Terra Quente Transmontana, e mais vinho. “Além da nossa produção, que ultrapassa os cerca de 20 hectares, queremos comprar mais, mas só na região do Douro. A qualidade é essencial”, assume, acrescentando que “todos os frutos do nosso trabalho são feitos em exclusivo de produtos da região, porque a qualidade é vital no que toca à exportação”. “As cooperativas vivem muito da maquia, mas isso não é futuro para uma fábrica como a nossa”, considera.

Sobre o futuro não revela muito, mas assume que um dos objetivos passa por “produzir cinco mil pipas”.

 

Perspetivas de futuro atraem novo investidor

Feliciano Roldão

Feliciano Roldão, empresário de Alijó, com vários negócios no continente africano, já conhecia a empresa muito antes de decidir investir nela. Tinha conhecimento das pessoas e da sua forma de trabalhar e via na Epordouro um forte potencial. Tendo por base a sua experiência profissional em Angola e no mercado Africano, o empresário foi abordado pelos irmãos Morais que procuravam entrar naquele continente.

“Já conhecia as pessoas, por quem sempre tive consideração. São indivíduos humildes e com uma enorme capacidade de trabalho. A empresa é uma referência e isso vê-se pelo bom nome que conquistou em mercados fortes, como a América Latina e Europa. Sabia que eles queriam entrar em Angola e considerei que poderia ajudá-los nesse objetivo. Além disso, senti que a empresa tem uma enorme capacidade de evolução. Se assim não fosse, não teria investido”, assume Feliciano Roldão. Concluiu, perspetivando que “a Epordouro terá, com toda a certeza, imenso sucesso em todas as frentes de atuação. Está-lhe nos genes”.

 

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