É nesta altura do ano que nas escolas oficiais se fazem as matrículas para o ano seguinte e se deve declarar expressamente a vontade de frequentar a aula de Educação Moral e Religiosa Católica.
Há escolas onde o número de alunos que frequentam essa aula de EMRC se mantém elevado desde há anos, outras onde tem vindo a descer, e há uma onde as aulas foram interrompidas!
Tudo isto deve merecer a reflexão dos alunos, dos pais, encarregados de educação e outros responsáveis, e deve despertar o seu empenho, explicando aos filhos e educandos a importância dessa aula e respectiva matrícula. Aos alunos ela oferece a ocasião para a sua formação moral e religiosa numa época de desorientação generalizada; culturalmente proporciona uma ajuda para a interdisciplinaridade com outras disciplinas e outros saberes; para os pais é um meio de cumprirem o dever assumido no seu casamento de educarem cristamente os filhos; politicamente é uma ocasião de os jovens aprenderem a exercer a cidadania. Na verdade, esta aula só existirá se houver alunos que nela se inscrevam e, num contexto legítimo de laicidade do Estado e de liberdade religiosa dos cidadãos, a matrícula na aula de EMRC representa uma espécie de voto público dos católicos e das famílias na organização da vida escolar. Quando se celebra o crisma, muitas vezes se diz aos crismados que devem ser testemunhas de Jesus Cristo e da fé da Igreja no seu meio. Pois aí está um local apropriado para essa intervenção – a escola pública.
Dos professores e funcionários públicos incumbidos de acompanhar o serviço das matrículas espera-se diligência junto dos pais e dos jovens, esclarecendo-os e ajudando-os no preenchimento correcto da documentação. Esse gesto é, da sua parte, um testemunho de cidadania.
Vila Real, 7 de Junho de 2008
Joaquim Gonçalves,
Bispo de Vila Real


