Domingo, 14 de Agosto de 2022

“Era difícil acreditar num clube que estava longe de tudo e todos”

Carlos Areias, atualmente com 64 anos, começou a carreira nas camadas jovens do Grupo Desportivo de Chaves.

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Na época de 1984/85, aquando da primeira subida do clube ao principal escalão do futebol português, integrava o plantel como defesa e lateral direito. Em conversa com a VTM, recordou os “bons velhos tempos”, quando se vivia “demasiado o futebol”.

“O futebol era rei. Poucos desportos mais havia, sobretudo aqui. Mesmo na segunda divisão, onde capitaneei a equipa, o Chaves manteve sempre muito bons plantéis e era a melhor equipa da região. Mas eram tempos difíceis”, frisa o antigo jogador.

“Houve muitos fatores que nos foram prejudicando nas subidas de divisão e em certos méritos que poderíamos ter alcançado mais cedo, não fossem todos esses inconvenientes” associados à interioridade. “As estradas complicavam-nos a vida. Daqui ao Porto eram cinco horas de viagem”.

Porém, “acabámos por subir em 1984/85. Foi uma loucura! Quando regressámos do último jogo da liguilha (atual ‘play-off’), com o União da Madeira, tínhamos gente à nossa espera em Lamego. Até em Vila Real, que era uma cidade, de certa forma, rival, fomos apoiados e aplaudidos”.

SUBIDA HISTÓRICA

“Pela primeira vez, contratámos um treinador que estava dentro dos parâmetros, com novos métodos. Quase 90% do mérito foi dele, do Álvaro Carolino, que veio do Boavista”, técnico do Desportivo de Chaves nas épocas de 1983/1984 e 1984/1985.

Porém, “há um pequeno detalhe a realçar. Álvaro Carolino teve uma chatice com a direção no último jogo do campeonato e demitiu-se. A liguilha já não foi coordenada por ele, mas, sim, por um atleta, Raul Águas”, técnico ao qual se atribui o mérito da primeira subida do clube.

“Numa reunião de balneário, o meu colega Paulo Rocha levantou-se e disse: “faltam-nos quatro jogos. Não há necessidade de irmos arranjar um treinador”. Virou-se, então, para o famoso Raul Águas, o nosso atleta mais velho, e assinalou-o como possível treinador. Foi ele, então, que comandou este minicampeonato chamado liguilha”, explica.

“Jogámos muito bem e tivemos a sorte de efetuarmos a subida de divisão. Na época seguinte, 1985/86, ainda joguei no Chaves e ficámos em sexto lugar, o que não permitiu o acesso à Europa. De qualquer forma, fizemos um grande campeonato”, enaltece Carlos Areias.

Plantel da época 1985/1986

MÍSTICA

Enquanto lateral direito, “era considerado um indivíduo muito voluntarioso, aguerrido, que dava tudo. Era um jogador viril, com muita vontade, segundo diziam por aqui, não esquecendo que havia, realmente, um fervor muito grande pelo jogo”.

Na altura, “ainda havia bastante mística, coisa que, ultimamente, se foi perdendo. Hoje é tudo um bocadinho diferente, até porque as condições de trabalho são outras. Houve uma mudança radical e uma evolução muito grande a nível de treino, por exemplo”.

Carlos Areias sente, inclusive, diferenças na forma como, hoje em dia, se vive a modalidade. “Ainda que em Chaves se viva intensamente o futebol, naquele tempo as pessoas eram mais exigentes. Havia mais agressividade. Na altura em que estávamos para subir de divisão existia uma pressão e uma vigilância apertadas aos jogadores. Agora, há mais desportos e os adeptos mudaram, de certa forma”.

“Não me lembro de uma festa tão grande como foi a da primeira subida. Foram anos de luta, muito complicados, precisamente pelas condições e contexto. Era difícil acreditar num clube que estava longe de tudo e todos. Esta subida vai ter sempre um significado, muito, muito especial”, remata.

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