A questão devida a Ventura na comparação com o contexto político espanhol

No pretérito dia 29 de maio, e após acentuada derrota do PSOE nas eleições autonómicas e municipais espanholas, Pedro Sanchez comunicou ao Rei de Espanha a dissolução do parlamento e, consequente, antecipação de eleições.

Se do outro lado da fronteira existiu um governante capaz de reconhecer que o exponencial crescimento da oposição é sinónimo de um novo ciclo político e, consequentemente, justificação para a necessidade de se anteciparem eleições, é na ausência desta característica que se denota a crucial diferença entre as duas conjunturas políticas.

Enquanto na era Rui Rio pairava a ideia que se pedia desculpa por cada vez que se fazia oposição, neste período Montenegrino parece que se requer permissão para o mesmo efeito. Prova disto são as constantes demonstrações de passividade neste já ultrapassado ano de mandato enquanto presidente do PSD.

E, quando de alguma forma se pretende mostrar ativo e presente, o futuro candidato a Primeiro – Ministro, numa atuação completamente desfasada da realidade – ao jeito de um simples discípulo de Moedas – julga por boa a estratégia de reunir com a Associação de Alojamento Local, invocando a asfixia que o Governo provoca no setor, verificando-se de tal modo incapaz de possuir a hombridade de calçar os sapatos dos portugueses que vão sucumbindo ao aumento das rendas e, provavelmente, pensando na rentabilidade que poderá retirar da casa de Espinho.

Torna-se peculiarmente caricato quando se nota que em confrontação com a praticamente diária alteração dos acontecimentos mundiais, económicos e sociais, o líder do PSD mantém a postura de líder com medo que, inexplicavelmente, se cinge a manifestar contentamento com o perspetivar de uma derrota nas eleições europeias pelos sondados 2 ou 3 pontos percentuais.

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Quando se julga que o cenário não pode piorar, na senda do irrisório, observa-se que – na emersão do seu sarcófago – é Aníbal Cavaco Silva o autor da mais recente e afincada demonstração de vivacidade do já mencionado partido.

Face os reiterados alvoroços no governo – que pouco se devem a A. Costa e bastante a uma máquina partidária que gradualmente o vai defraudando – fraca é a oposição que contra este não se logra impor e nada mais é capaz senão gestão de escândalos e apreciação do barómetro político.

Nesta banda da divisa, deve-se equiparar a tentativa de propagação da ideia de hecatombe política assente na realidade espanhola aos alarmes que já se detêm quanto aos seus ventos e casamentos e, reformular o destinatário da pergunta da praxe num hipotético cenário de coligação à direita, uma vez que se torna cada vez mais evidente e incontestável que no futuro a decisão penderá para André Ventura e não para Montenegro ou quem a si se seguir.

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