Em dia de aniversário, foi ainda apresentado o projeto da nova casa da associação, que ficará no edifício Pedrinhas
Na tomada de posse da direção da Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD), a nova presidente mostrou-se solidária com os alunos que enfrentam dificuldades para continuar os estudos superiores, devido à crise provocada pela pandemia de Covid-19.
Num ano atípico e com muitas incertezas a pairar no futuro dos estudantes, Maria Ferreira lembrou que a prioridade da associação que lidera passa por evitar que os alunos abandonem o ensino superior, que, na sua opinião, “continua esquecido”. “A acentuada quebra nos rendimentos das famílias começa a ser uma dura realidade e os pedidos de ajuda financeira por parte dos alunos têm aumentado significativamente”, por isso, a AAUTAD “está empenhada em ajudar todos aqueles que necessitem”.
“Temos feito esse trabalho, de tentar chegar aos alunos, perceber se há alguém que precise e, nestas últimas semanas, chegaram quatro pedidos de ajuda por dificuldades económicas”, sublinhou, adiantando também que, em 2020, foi criada a iniciativa solidária ‘A Academia une todos à distância’, que uniu a AAUTAD aos núcleos e associações de estudantes, tendo conseguido uma bolsa de cinco mil euros destinada a apoiar alunos que estejam a passar por dificuldades económicas por causa da pandemia.
No ano passado, Maria Ferreira revelou que foi dada apenas uma bolsa, no entanto, este ano já receberam quatro candidaturas e serão ainda abertas mais 10, no valor de 350 euros para ajudar quem está a passar por dificuldades.
Entretanto, a associação de estudantes elaborou um questionário para perceber as condições em que se encontram os estudantes e, em breve, serão divulgados os resultados. No relatório preliminar, Maria Ferreira adianta que há estudantes a pensar em abandonar o ensino superior por motivos psicológicos, outros por dificuldades económicas e ainda há estudantes que pretendem congelar a matrícula se continuar o ensino online.
Lembrou que o ensino online deve ser “apenas complementar” ao ensino presencial, que tem de voltar a ser a prioridade das universidades, após o ciclo pandémico. “É muito importante que os estudantes tenham contacto com toda a comunidade académica e com a cidade”.
A falta de alojamento foi outra das preocupações levantadas por Maria Ferreira, que espera ver resolvido o mais rápido possível, uma vez que há cada vez mais alunos na UTAD com dificuldades em encontrar alojamento, para além dos preços “incomportáveis” para muitas famílias.
O reitor Fontainhas Fernandes disse que já há dois projetos para aumentar o alojamento, nomeadamente nas antigas cantinas do Codessais e no edifício do CIFOP, falta apenas encontrar as linhas de financiamento. “Serão criadas mais 300 camas e acredito que haverá financiamento para se avançar com os projetos”.
Desporto e cultura foram outras das áreas que a nova direção pretende continuar a desenvolver com maior envolvência da cidade, reiterando a necessidade de se criar um espaço fixo com condições para atividades desportivas e académicas.
Maria Ferreira aproveitou ainda para lançar um repto à região, no sentido de criar estratégias para que os estudantes fiquem a trabalhar em Trás-os-Montes depois de tirarem os seus cursos.
CASA NOVA
Localizado no campus, o edifício Pedrinhas vai ser a nova sede da AAUTAD, depois de ter sido assinado o contrato de comodato com a universidade.
O espaço vai entrar em obras e terá uma loja académica, uma sala de estudos, um café, gabinetes da direção e salas para os núcleos e secções, que se encontram espalhados pelo campus.
No dia em que a AAUTAD comemorou 33 anos foi inaugurada a “Galeria Alumni”, uma homenagem aos alunos da academia, onde vão ser plantadas árvores que pretendem representar a passagem de diferentes gerações. Maria Ferreira e o seu antecessor, José Pinheiro, plantaram um pinheiro manso, num processo que será evolutivo ao longo da estrada que liga a rotunda das Ciências Florestais à entrada sul do campus universitário.


