Contudo e apesar do esforço “hercúleo” do moderador e Presidente do Rotary reguense, Augusto Macedo, o certo é que este primeiro “round” não foi muito esclarecedor, havendo momentos crispados com trocas de acusações.
O actual Presidente da Casa do Douro, Manuel António dos Santos, apresentou-se nesta condição e apesar de instado por Pedro Garcias para confirmar ou não a sua candidatura, sempre foi deixando no ar um “nim”.
Uma posição contestada pelo viticultor e jornalista, natural do concelho de Alijó, que ameaçou mesmo abandonar a sala. O actual dirigente da instituição duriense ocupou grande parte do tempo a explicar aos presentes a cronologia dos factos que deram origem à actual crise financeira da Casa do Douro (que começou em 1989), embora entrecortado por um candidato incisivo e que lhe pedia vários esclarecimentos sobre procedimentos tomados pela sua direcção.
Numa das suas intervenções, Manuel António Santos anunciou que tinha recebido uma carta da Direcção Geral do Tesouro, DGT, a congratular a instituição pela sua disponibilidade em pagar as suas dívidas com vinho, que ele próprio avaliou em cerca de 159 milhões de euros. Sublinhando que apenas para a concretização do processo era necessária a intervenção do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, IVDP, para a valorização dos lotes de vinho a indicar.
Este facto foi de imediato rebatido por Pedro Garcias alegando que a CD tem os vinhos penhorados e as próprias acções na Real Companhia Velha e sendo assim, não há condições para qualquer negociação.
Matérias como o futuro dos trabalhadores do CD acabaram por não serem esclarecidas por ambos os candidatos. Pedro Garcias é a favor de uma racionalização e reorganização do quadro de pessoal, enquanto Manuel António dos Santos, deixou a ideia de que todos os funcionários são necessários.
Quanto ao Cadastro, ambos têm posições divergentes. Se o único candidato assumido à CD defende a sua manutenção na instituição e como fonte de prestação de serviços ao IVDP, o seu opositor está disponível para contactos negociais com possível cedência ao mesmo organismo.
Já no final do debate e com os ânimos mais calmos, ambos transmitiram algumas ideias sobre o futuro da Casa do Douro, à numerosa plateia que encheu uma das salas de conferências do Hotel Régua Douro. Pedro Garcias voltou a defender que é necessário ter confiança dos viticultores e dos vários agentes do sector. “Quero uma CD dinâmica e virada para a região, que defenda com honra e dignidade os interesses dos viticultores. É necessário um acordo de regime para debelar a crise financeira com que se depara”. Mais apoio aos agricultores, mais formação, um seguro de colheitas e a convivência pacífica entre produtores e exportadores foram outras intenções manifestadas.
Por outro lado, Manuel António Santos, garantiu que “depois do pagamento total da dívida, vai relançar a Casa do Douro com o montante que ficará da venda do vinho”, mas reafirmou que nunca aceitará a CD como “uma associação pública com competências retiradas”.
O dirigente duriense pretende também alterar os estatutos da CD. Mostrou ainda preocupação com “a grande franja de 13.000 viticultores produtores apenas de vinhos de mesa” com o sector das aguardentes. “Os espanhóis compram em Torres Vedras, levam-na para Espanha e depois colocam-na cá outra vez”.
Entretanto já correm rumores que, a breve prazo, poderá avançar uma outra candidatura.





