Passaram dez após a morte de António Joaquim Magalhães Cabral, escritor transmontano, natural de Castedo do Douro, em Alijó, nascido a 30 de abril de 1931. Com um percurso verdadeiramente notável, destacou-se na poesia, ficção, teatro, ensaio literário, etnografia e ludoteoria.
Frequentou o curso de Teologia no Seminário de Vila Real e concluiu a licenciatura em Filosofia na Universidade do Porto. Lecionou na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, em Vila Real e, a partir de 2001, foi professor de Cultura Geral, na Universidade Sénior. Fundou, em 1979, o Centro Cultural Regional, do qual foi presidente. Mas foi na investigação e organização de festas e jogos populares que a sua ação se tornou mais visível, promovendo cinco encontros de escritores e jornalistas de Trás-os-Montes e Alto Douro. O escritor foi ainda o principal responsável pela organização dos Jogos Populares Transmontanos, que tiveram início em 1977 e dos Jogos Populares Galaico-Transmontanos em 1983.
Exerceu os cargos de delegado do distrito de Vila Real e coordenador da zona norte no Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis, que antecedeu o Instituto da Juventude. De março de 1996 até final de janeiro de 2004, foi delegado do INATEL, o que lhe permitiu privilegiar a cultura popular. Fundou, em 1962, a revista Setentrião, e a revista Tellus da qual foi o primeiro diretor em 1978, e o mensário Nordeste Cultural, em 1980.
Foi distinguido com as medalhas de prata de mérito municipal de Alijó no ano de 1985 e em Vila Real, em1990. Colaborou com revistas e jornais portugueses e estrangeiros, entre eles o jornal Público, o Semanário Transmontano, o jornal Entre Letras, e com os periódicos Notícias do Douro e Notícias de Vila Real. Também participou em programas de rádio e de televisão, coletâneas escolares, obras coletivas e antologias de poesia. Alguns dos seus poemas foram cantados por Manuel Freire, Adriano Correia de Oliveira e Francisco Fanhais. Prefaciou e fez a apresentação de diversos livros, entre eles, Cantar de Novo, de José Afonso e Ser Torga, de Fernão Magalhães Gonçalves e obras de escritores transmontanos com projeção nacional como Bento da Cruz e António Manuel Pires Cabral.
O prémio literário ‘António Cabral’ 2017, no valor de 5 mil euros, foi entregue esta segunda-feira, a Nuno de Figueiredo, que concorreu com o pseudónimo A.C.D’Ouro, e que venceu com o original “Sublimação da Matéria”.
Segundo o júri, “o livro selecionado é um espaço de intimidade que escolhe dar conta da precariedade da vida, do fluir das estações, da presença da morte, da busca da palavra poética” e a “simplicidade do estilo encontra-se aqui ao serviço do fulgor imagético que define cada um dos poemas”.
Alzira Cabral, esposa do escritor, revela que aquilo que sente pode ser sintetizado numa só palavra: “saudade”. “O meu marido era um homem de causas a que se dedicava entusiasticamente de forma desprendida”, explicou.
Quanto ao seu percurso ilustre, Alzira Cabral, sublinha que António Cabral era intelectualmente um ser inquieto e buscava na literatura a quietude, o prazer, a verdade, a vontade de dar voz àqueles que a não têm”.
A cerimónia decorreu no Auditório da Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira, onde também foi apresentado um In memoriam de António Cabral, que reuniu cerca de três dezenas de testemunhos de pessoas que conviveram de perto com o escritor.




