Domingo, 19 de Setembro de 2021
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Apontamentos de Férias

Neste ano, tivemos o Pote como rei dos marcadores da Liga Profissional de futebol, um transmontano.

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#1

John Kenneth Galbraith (em ‘A Sociedade da Pobreza’): “A pobreza urbana (…) está um grau acima da miséria rural. Por isso, as cidades têm crescido.”

#2

Os Jogos Olímpicos originais traziam às cidades dos Campeões a bênção da glória. Neste ano, tivemos o Pote como rei dos marcadores da Liga Profissional de futebol, um transmontano, depois de Simão Sabrosa o ter sido ex-aequo há alguns anos. No entanto, tendo sido esta região transmontana e duriense o berço do atleta mais rico de SEMPRE – o mítico Lamecus – pergunto se a mesma oferece aos atletas – amadores e profissionais – condições para o brilho e o brilharete que vão conseguindo, eventualmente com muita mais luta do que outros atletas noutras condições. Porque os nossos Campeões lutam contra as condições sócio-económicas adversas, contra a necessidade de treinar em piscinas adequadas no litoral, contra o custo tantas vezes suportado pelas famílias anos a fio antes da foto com os Presidentes das Câmaras nos dias das Medalhas de Mérito Municipal, contra o desânimo perante o público que não têm nos seus recintos. Será que a região — e o país — merecem os nossos campeões?

#3

Muitos estão preocupados com a redução demográfica. Têm razão, mas dessa razão já expliquei no Economia do Esquecimento (2021, UMinho Editora). Poucos vejo a tentar explicar porque enquanto em Bragança, Guarda e Viseu há mais empresas entre 2021 e 2020, em Vila Real e em Portalegre há menos. Poucos ainda encontro a refletir no aumento da desigualdade sócio-económica em concelhos do interior — por exemplo, no concelho de Vila Real — que de acordo com o último Relatório da EAPN (Agência Europeia da Rede Anti-Pobreza) coloca o município de Vila Real no top10 da desigualdade nacional. A causa é simples – reflexo da perda populacional alimentada pela saída da classe média. Quem fica fica porque não pode fugir/votar com os pés (os pensionistas, os trabalhadores assistidos ou condicionados com menor qualificação), ou porque compensa (remunerações associadas a vencimentos acima da média, no setor privado, mas sobretudo no público). Portanto, temos um Interior ingrato para a classe média, com necessidade de revitalização empresarial e com ameaças sérias no convívio entre as classes sociais. Depois, admirem-se dos assaltos, distúrbios e delinquência, tão próprios das áreas onde prolifera a desigualdade sócioeconómica!

#4

São os votos (nos cidadãos elegíveis) proporcionais aos likes (apostos nos perfis homónimos associados)?

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