Vendem roupa, calçado, brinquedos, tecidos e produtos alimentares, entre uma enorme variedade de outras mercadorias. Percorrem as feiras da região, semanal ou mensalmente, e, obviamente, partilham, praticamente, os mesmos problemas, preocupações e anseios. Para eles, está a nascer a Associação de Feirantes do Nordeste Transmontano, um projecto que, a médio prazo, poderá estender-se a toda a região de Trás-os-Montes.
Já foi comunicada, à Federação Nacional de Associações de Feirantes (FNAF), a intenção de criar a Associação de Feirantes do Nordeste Transmontano, um projecto que está nascer com sotaque brigantino, mas que, no futuro, poderá dar “voz” a toda a região.
A confirmação foi dada, ao Nosso Jornal, por Fernando Sá, Presidente da FNAF que explicou que a iniciativa surgiu de um grupo de feirantes do distrito de Bragança e que o processo está em fase preliminar, tendo sido já “dadas todas as informações necessárias e enviados os documentos” para que se possa iniciar o processo.
Segundo o mesmo responsável, numa fase inicial, a Associação deverá incidir mais sobre o Nordeste Transmontano, embora o objectivo seja a criação da Associação de Feirantes e Trás-os-Montes, ou seja, o alargamento da sua intervenção, ao distrito de Vila Real, pelo menos assim o “vai incentivar” a Federação Nacional.
“Actualmente, estão em funcionamento as associações de feirantes do Porto, das Beiras, e de Lisboa. No entanto, está em fase final de criação a Associação do Algarve e a revitalização da Associação do Centro que, nos últimos quatro anos, tem estado inactiva”, revelou Fernando Sá, adiantando que um dos propósitos da FNAF é, exactamente, incentivar os feirantes a unir-se.
“A união numa só voz facilitará a resolução de problemas que são comuns”, revelou o dirigente federativo, realçando que “resolver os problemas, de forma individual, nem sempre é o caminho mais fácil e eficaz”.
Entre outras mais-valias da criação da Associação, Fernando Sá sublinha a intervenção, junto aos feirantes, na sensibilização para as regras a cumprir na actividade.
“Temos organizado sessões de informação, com a colaboração da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), para prestar esclarecimentos sobre as regras e as leis, de maneira a que os feirantes estejam devidamente actualizados e preparados”, explicou o mesmo responsável.
Fernando Dias, um dos mentores da ideia de criar a Associação de Feirantes, em Bragança, confirmou que, para já, “numa primeira fase”, a ideia do projecto é representar os profissionais do Nordeste Transmontano. No entanto, sublinha que o futuro poderá dar azo as novas fronteiras.
“Vamos trabalhar, durante o primeiro ano, para consolidar a actividade da Associação e, se os resultados forem positivos, passaremos a ser a Associação de Feirantes de Trás-os-Montes”, revelou, salvaguardando que projectos como este que nascem e sobrevivem da “carolice” de alguns têm que ser bem recebidos, por todos, para darem resultados.
Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2004, estavam registados 18.004 feirantes, nesse ano, em Portugal, um número que Fernando Sá acredita que fica aquém da realidade, tendo em conta que o INE tem como base os inscritos com o código de actividades de Feiras e Mercados. No entanto, muitos feirantes estão inscritos com outros códigos de actividade, como, por exemplo, vendedores ambulantes ou, mesmo, comerciantes.
Maria Meireles





