Praticante de atletismo desde os 15 anos, o atleta recorda os tempos áureos da AAC lembrando os “bons atletas do Constantim”, como o seu pai, Alfredo Fernandes, “campeão nacional vários anos e presidente do clube na altura”, Carlos Valente, “um ícone da cidade no atletismo”, o José Carvalho, “atleta profissional e de topo que está sempre presente nas provas mundiais de montanha”, Marco Filipe, Carlos Lopes e Marco Bernardo, “entre outros que se destacam nas provas nacionais e foram atletas da Associação há 20 anos”.
Apesar de em Portugal nunca ter tido uma carreira desportiva significativa, a nível competitivo, nunca tendo sido seu “forte ou objetivo vencer provas”, foi do outro lado do oceano que foi ‘apanhado’ pelo desejo de competir, tendo já participado em várias corridas, como por exemplo, a prova do Circuito da Adidas, a última em que participou e na qual conseguiu o 3º lugar, ou o Campeonato de Atletismo da Baía, nomeadamente uma prova de Itaigara, de 10 quilómetros, a qual terminou em 6º lugar.
“Tenho tentado ir ao maior número de provas possível, pois é sempre gratificante, é uma boa experiência, pois estando fora do meu país, sente-se as coisas de outra forma”, explicou o atleta de Constantim, adiantando que o próximo objetivo é participar na Maratona de Brasília.
Relativamente às diferenças entre Portugal e o Brasil, no que diz respeito à organização das provas, Paulo Fernandes revelou ao Nosso Jornal que a grande diferença está no preço das inscrições. “As provas são muito caras em relação às nossas em Portugal”, explicou, contabilizando que a inscrição numa corrida por chegar aos 150 reais, o que limita muitas vezes os atletas, ou seja, “é um desincentivo ao desporto”.
“Aqui tem que se começar a treinar muito cedo, por volta das quatro da manhã, porque às seis já é muito calor para um português que vive em Trás-os-Montes”, sublinhou ainda o vila-realense, testemunhando que a grande diferença nas provas é que no Brasil corre-se “de baixo de 37 graus e sofre-se muito com isso, fisicamente e mentalmente”.
“Ao final da tarde, treino sempre com os triatletas da região, pois são uma boa escola e exemplo para mim, pois espero um dia também o ser”, adiantou Paulo Fernandes, revelando no entanto que não tem a ambição de se tornar um atleta profissional, até porque adora praticar também outras modalidades além do atletismo, como por exemplo “ciclismo, bicicleta de montanha, natação e caminhadas”.
Sobre a vida de um jovem emigrante no geral, Paulo Fernandes explica que, em Salvador da Bahia, “é gratificante” porque, além de “de ter a possibilidade de trabalhar, coisa que em Vila Real já não é fácil, tem praias lindíssimas, gente bonita e boa comida”.



