Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

Autarca pede isenção de portagens “pelo menos” durante 10 anos

O anúncio das portagens caiu como uma bomba na região transmontana, que agora começa a levantar a voz contra a medida. O presidente brigantino classifica-a como uma “injustiça” e pede que, tal como aconteceu com o mesmo tipo de infraestruturas criadas na “revolução do asfalto”, também a A4 tenha uma década de gratuitidade para contribuir positivamente para o desenvolvimento da região

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O presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, enviou, no dia 26, uma carta ao Primeiro-ministro a solicitar a manutenção da isenção das portagens na Autoestrada 4, que liga os dois distritos transmontanos, “pelo menos” durante mais dez anos.

Na missiva, o autarca explica o pedido referindo se tratar de “um período de convergência necessário” para “acelerar o desenvolvimento”. “A introdução de portagens volta a colocar o distrito, comparativamente ao resto do país, em situação desigual, empurrando-o para trás, visto não nos ser concedido o tempo necessário de isenção de utilização de modernas estradas para acelerar o desenvolvimento, como aconteceu com a generalidade do país”, explicou.

A Autoestrada Transmontana, parte da A4, que liga Vila Real a Bragança, ficou concluída em setembro no ano passado, e embora ainda não tenham sido avançadas datas nem o sistema de pagamento que será utilizado, o Governo, através do secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, já confirmou a intenção de introduzir as portagens.

Hernâni Dias classifica a medida como uma “relevante injustiça” e lamenta que se volte a verificar que “a solidariedade só ocorre no sentido do interior para o litoral”, o que é “inaceitável.

O autarca defende, assim, que a coesão territorial só será possível isentando os utilizadores do pagamento de portagens na A4 até que “os índices de desenvolvimento humano, económico e regional se aproximem ou igualem à média nacional”. O Índice de Poder de Compra per capita da NUT III Alto Trás- -os-Montes é sensivelmente metade do índice a Grande Lisboa (apresentando alguns concelhos do distrito de Bragança 1/3 do valor dessa área metropolitana).

Na missiva é ainda recordado que a Autoestrada foi construída “com décadas de atraso relativamente ao país, sendo Bragança o último distrito a beneficiar da revolução do asfalto que ocorreu por todo o território nacional e em alguns casos até de forma excessiva”.

Mais, Hernâni Dias sublinha ainda que aquela via foi construída “duplicando o IP4, sobrepondo-se em quase toda a sua extensão, não restando aos utentes da região qualquer alternativa, segura e praticável, nos tempos atuais e próximos”.

O Nosso Jornal recorda que as anunciadas portagens na Autoestrada Transmontana, entre outros temas, vão ser discutidas na reunião, agendada pelo presidente da Câmara Municipal de Vila Real para amanhã, que pretende juntar todos os autarcas dos dois distritos, os deputados eleitos pela região e os presidentes das Comunidades Intermunicipais do Douro, Alto Tâmega e Trás-os-Montes.

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