Depois de servirem a Guarda Fiscal, os postos fronteiriços desta força, em Trás-os-Montes, vão ter novas funcionalidades, viradas para o lazer e o turismo.
Nos distritos de Vila Real e Bragança, existem algumas dezenas de antigos edifícios que foram utilizados pela Guarda Fiscal e GNR e que, actualmente, se encontram encerrados e em estado de degradação.
Situados na “raia seca”, linha de terreno imaginária que dividia Portugal e Espanha, tinham duas categorias: de primeira linha e de segunda linha. Os postos foram colocados nas áreas mais sensíveis ao contrabando. Com as alterações verificadas na Guarda Fiscal, em 1994, muitos fecharam as portas e ficaram abandonados. Um património fronteiriço que ficou sem qualquer utilidade, mas que, agora, se começa a vislumbrar vários aproveitamentos das suas instalações. Os quartéis da Guarda Fiscal são edifícios sem grande interesse arquitectónico, mas a ele se encontram ligadas muitas histórias de guardas e contrabandistas.
Em Vila Real, como o Nosso Jornal já se referiu, existem projectos de reabilitação dos antigos postos. Vilarelho da Raia, Soutelinho da Raia e Vila Verde da Raia são alguns que estão na calha.
A Câmara Municipal de Chaves e alguns privados estão apostados na sua recuperação, para fins lúdicos, turísticos e comerciais. É o caso de Vila Verde de Raia, onde está previsto surgir um importante empreendimento hoteleiro.
Também no distrito de Bragança existem várias instalações que estão projectadas para outros fins e que se encontram espalhadas, pela “raia seca”.
Na sua grande maioria, os edifícios foram mesmo adquiridos por particulares. Porém, a rede é extensa e numerosa e algumas instalações ainda se encontram degradadas e abandonadas.
Dos antigos postos da Guarda Fiscal existentes, entre outros, destacamos Avelanoso (situa-se no concelho de Vimioso), Bruçó (no concelho de Mogadouro, já recuperado), Casal do Vaso (junto ao Douro Internacional) e Baçal (no Parque Natural do Montesinho). Mas é no posto da fronteira de Quintanilha que as atenções estão viradas e onde as várias casas existentes poderão ser aproveitadas, para outras finalidades, nomeadamente um hotel rural, um centro de recepção de visitantes e de exposições e lojas destinadas para a venda de artesanato e produtos da gastronomia local.
Jmcardoso



