Sábado, 16 de Outubro de 2021

Azeites do Douro à conquista da América do Sul

É considerado um dos maiores projectos comerciais oleícolas da região duriense e está a ser levado a cabo por uma empresa de Sabrosa, ligada à extracção de azeite. A sua estratégia passa pela aposta em novos mercados para este produto de eleição do Douro, visando essencialmente os países sul-americanos, nomeadamente Cuba e México. Este ano, a unidade industrial transformou cerca de 2 milhões e 800 mil quilos de azeitona, oriunda de vários concelhos da região.

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Desde Janeiro que a Zona Industrial de Sabrosa tem uma nova empresa ligada ao sector do azeite. A “Sabroliva” nasceu de uma ideia de dois irmãos de Cabeda (Alijó), Hermínio e Manuel Morais, e pretende assumir o papel de liderança na produção de azeite na região duriense. Neste momento, já abrange cerca de mil olivicultores, mas a meta é abranger todos os agricultores do Douro e interior dos distritos de Vila Real, Bragança e Viseu, embora nestes últimos nos concelhos ribeirinhos ao Douro.

Numa altura em que os azeites durienses começam a conquistar novos mercados, a “Sabroliva” quer unificar um sector ainda embrionário em termos associativos e mesmo a nível produtivo. Depois de medidas de incentivo ao abate do olival preconizadas pela União Europeia, a situação inverteu-se e parece que se assiste ao renascer da olivicultura no Douro, numa vertente comercial mais profissionalizada.

O Nosso Jornal falou com um dos sócios da empresa de Sabrosa, Hermínio Morais, sobre a estratégia comercial que pode ser uma mais-valia para os agricultores. “O Douro ainda tem no azeite muito potencial por explorar. A Denominação de Origem está aí mas falta a imagem de marca aos nossos produtos. O nosso projecto visa enfrentar as dificuldades que ainda existem na exportação para alguns países, sabendo-se que o mercado nacional está saturado e é pouco atractivo. Temos dois países que podem ser muito interessantes do ponto de vista de exportação: Cuba e o México”. O empresário já manteve contactos comerciais e já enviou amostras para importadores destes países. O processo está mais adiantado em Cuba, para onde segue em breve uma primeira remessa de azeite. “Cuba tem um grande potencial de consumo e o mesmo acontece no México”.

Outro dos objectivos comerciais da empresa são os países nórdicos. “A Noruega já consome azeite do Douro, além de outros países da Europa, onde há emigrantes portugueses. Para estes consumidores, o azeite revela-se pouco acido, picante, verde e muito frutado. Já na América do Sul, a preferência recai sobre azeites de colheita tardia, mais maduros e ligeiramente mais ácidos, aliás como o mercado nacional aprecia. Nas nossas exportações nunca incluímos azeites refinados, são todos de primeira extracção e que passam por processos mecânicos de alta tecnologia alemã”.

Esta unidade comercializa a marca “Nordouro”, e fica situada na zona industrial de Sabrosa, onde possui um moderno lagar de azeite, armazenagem e embalamento. Foi criada no mês de Janeiro, mas com as suas origens em 2006, altura em que criaram uma outra firma de extracção de azeite, que presta outros serviços aos olivicultores da região. “Limpamos a azeitona no máximo de 48 horas e toda a linha de produção é feita no processo continuo. Em doze horas, após a apanha, o agricultor pode ter o seu azeite já elaborado”, assegurou Hermínio Morais. Este ano, o lagar transformou dois milhões e oitocentos mil quilos de azeitona, traduzidos em milhares de litros de azeite.

O projecto de exportação pode beneficiar os olivicultores que recorrem a esta empresa com as suas colheitas, que vêm dos concelhos Sabrosa, Alijó, Santa Marta de Penaguião, Régua, Murça S. João da Pesqueira, Cumieira, Vila Real e Pedras Salgadas.

Num primeiro balanço do Sul do Douro, Hermínio Morais realçou que na safra deste ano se apanhou muito menos azeitonas, mas a “qualidade é superior”.

Actualmente, o tratamento do azeite obedece a cuidados redobrados, a nível sanitário. “Hoje ninguém apanha as azeitonas do chão. Nós só recebemos a azeitona dos ramos. Isto é uma prática comum, que vamos passando aos agricultores. Depois, há todo o cuidado no transporte, já que nunca se deve utilizar sacos de adubo usados, que era um mau hábito. Agora, o olivicultor tem de comprar sacos alimentares, caixas e embalagens certificadas.

Por fim, este empresário deixou um alerta aos consumidores. “Quando compram azeite barato devem evitar os azeites refinados, que normalmente são vendidos ao preço da chuva. O azeite refinado é conhecido como óleo de trasfega e resulta da refinação do óleo do bagaço da azeitona. Isto acaba por não ser azeite, apesar da lei permitir que se ponha a denominação de ‘azeite refinado’. O consumidor não pode comprar azeite puro a 1 euro e 80 cêntimos o litro. Um litro de azeite feito por processos mecânicos e sem misturas não fica por menos de 4 a 5 euros”.

Para o futuro, este empresário defende a necessidade de duplicar a capacidade produtiva, investir em espaços para venda ao público, criar um espaço de provas de azeite e exposição de produtos, além de intervenção no exterior das instalações.

Hermínio Morais considerou que a Sabroliva será uma mais-valia para o concelho de Sabrosa e para a região. O empresário deixou duas ambições. “O meu sonho é exportar para todo o mundo e comprar toda a produção dos olivicultores durienses”, concluiu.

Quem vê com satisfação este projecto é o presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, José Marques. “Tudo o que seja em benefício do sector empresarial e tecido produtivo do concelho e da região, é bem-vindo. Além do vinho, o azeite é um dos produtos de eleição do concelho e uma mais-valia socioeconómica. A tentativa de exploração de novos mercados representa um desejo da autarquia”.

Recorde-se que, o Município, num sinal claro de aposta na sua Zona Industrial, partiu para uma primeira fase de expropriação que comporta a criação de mais seis lotes, com mais de 2.000m2 cada um. Porém, para o futuro, está a estudar um outro alargamento de maior envergadura, num processo que estará concluído dentro de dois anos. A área anexada terá as infra-estruturas necessárias para a instalação das empresas e a criação de um eixo logístico de grande interesse regional.

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