Menos Casa do Douro, mais empresa do Douro
Alienada parte das acções
da Real Companhia Velha
É mais um passo a caminho da vertente empresarial da Casa do Douro (CD) e do saneamento financeiro da instituição. Esta vai vender 51 por cento da participação de 40 por cento que possui na Real Companhia Velha à “holding” “Global Wines”. Esta empresa, criada pela Dão Sul, vai gerir todos os investimentos do grupo, em Portugal e no estrangeiro, em particular no Brasil. A “luz verde” foi dada pela maioria esmagadora do Conselho Regional da CD (apenas um conselheiro votou contra), em reunião efectuada no último Sábado, na Régua. Ao todo, são 15,5 milhões de euros que a “Global Wines” vai desembolsar e que darão um jeito enorme à CD, sabendo- -se do seu passivo. Porém, nem todo o dinheiro entrará no cofre da instituição duriense. A CD deverá entregar ao Estado 85 por cento dos 15,5 milhões de euros. Os restantes 15 por cento (cerca de 2,35 milhões de euros) serão destinados à aquisição de vinhos penhorados pelo Estado e que se destinam à nova empresa a constituir entre si e a “Global Wines”, com esta a possuir 51 por cento do capital e a instituição duriense 49. E será esta nova empresa que “usará” a participação do CD, na Real Companhia Velha. Assim sendo, a agremiação duriense poderá usufruir de instrumentos importantes de comercialização dos seus vinhos. Antes desta decisão e no final de uma reunião, havida entre o Presidente da Casa do Douro e o Ministro da Agricultura, Jaime Silva, este membro do Governo foi “neutral”, na sua apreciação, quanto ao negócio.
“Entre duas instituições privadas, na compra e venda de acções, o Estado não avaliza e não analisa se é um bom ou mau negócio. O Estado, e toda a gente, teve oportunidade de avaliar os bons e os maus negócios, feitos pela Casa do Douro, no passado. Não é agora o Governo que vai fazer, sobre este negócio concreto, a sua avaliação”.
A novela com a Casa do Douro “chegou ao fim”, acrescentando que “para nós, trata-se de recuperar o dinheiro que está lá empatado e que é dinheiro de todos os contribuintes portugueses” – sublinhou. Uma posição que não agradou a Manuel António dos Santos. “O Senhor Ministro está convencido de que o económico, hoje, comanda tudo, que o social não tem importância e, perante situações dessa natureza, seguiremos o nosso próprio caminho e o Senhor Ministro terá que arcar com as suas responsabilidades”, tendo desejado que a mesma neutralidade pudesse ser continuada, em muitos outros sectores, o que, infelizmente, não tem sido assim”.
De referir, esta semana, a visita de Joe Berardo que vem ao Douro comprar vinhos, a qual é vista, também, com muita expectativa. A possibilidade de aquisição de vinhos à CD e a algumas adegas cooperativas não está posta de parte.
Jmcardoso





