Esta intenção foi apresentada e aprovada por unanimidade na reunião do Conselho Regional de Viticultores realizada no último sábado. Os 58 conselheiros presentes também aprovaram a marcação das eleições para a Direcção da Casa do Douro (CD) para 1 de Fevereiro.
Na mesma altura o dirigente duriense, sugeriu a venda do Cadastro, ao mesmo tempo que exigiu ainda a responsabilização financeira do Estado pelo património existente da instituição, na Região Demarcada do Douro, nomeadamente as várias destilarias desactivadas. “O Estado deve considerar-se responsável por elas, pois obrigou-nos, na altura, a retirar os excedentes de vinho e a destilá-los para introduzir a aguardente no Vinho do Porto” disse.
A viva voz, Manuel António dos Santos deixou transparecer a vontade de “dizer basta” a uma serie de afirmações de responsáveis do País” que “tem maltratado vilipendiado e posto na sarjeta, todos os dias, a CD”. “Não é justo” que a Casa do Douro apareça, diariamente, na praça pública com o rótulo de “incumpridora e caloteira”. E culpa implicitamente os organismos estatais “de serem os responsáveis pela asfixia financeira do organismo ao concorrerem com uma série de medidas que “bloquearam todas as fontes de receitas e financiamento”.
Ainda, em relação à venda do vinho, Manuel António dos Santos, considerou que “como não há outra forma de poder liquidar a dívida, à banca e ao Estado, a solução terá de passar mesmo por pagar com vinho” e garantiu que o “stock da Casa do Douro supera largamente a dívida existente”. O dirigente avançou ainda, que a eventual venda de vinho fino do Douro em caso de incumprimento de compromisso financeiro “está previsto no contrato” celebrado com o Governo, que deu o seu aval aos últimos empréstimos contraídos pela Casa do Douro, em 1997.
A Casa do Douro quer incluir, também, no seu plano de sanidade financeira, a venda ao Estado da participação que possui na Real Companhia Velha, adquirida por 48 milhões de euros.
Em relação ao processo eleitoral, o Presidente do Conselho Regional de Viticultores, Miguel Videira, sustentou que o órgão resolveu adiar a marcação das eleições devido a estarem a decorrer negociações muito importantes para o organismo duriense”. “Encarregamos a Direcção da CD de tentar levar até ao fim os dossiers da participação da Casa do Douro na Real Companhia Velha. Ou seja, os acertos e desacertos de contas, com esta empresa, que já se arrastam há dezoito anos”.
Quanto as eleições o ainda presidente da CD, Manuel António Santos, deverá avançar com uma recandidatura, o que será confirmado ou não, dentro de uma semana. O único candidato assumido à Casa do Douro é, para já, o jornalista e viticultor Pedro Garcias que defendia a realização do acto eleitoral ainda este ano.




