Aumenta, assustadoramente, o número de vítimas mortais em acidentes com tractores agrícolas. Depois de, há quinze dias, em Valpaços, um idoso ter perdido a vida, desta vez sucumbiu um casal da aldeia de Paradinha Nova, em Izeda, debaixo de um desses veículos.
O capotamento de um tractor agrícola acabou por ser fatal. As vítimas, António Júlio Marques, de 67 anos, e Adelina Assunção Seca, de 61, foram encontradas, a 4 quilómetros da aldeia, por um pastor, Jorge Rodrigues, de 54 anos, por volta das 20.45 horas, quando regressava a casa, com o seu rebanho. Suspeita-se que o casal já tivesse sofrido o acidente durante a manhã. Os ferimentos graves e o intenso calor contribuíram para este desenlace fatal.
“Vinha a ouvir rádio, quando os cães deram um sinal estranho que não era de lobo nem de ninguém a movimentar-se, por perto. Fiquei atento. Mais à frente, vi, então, um tractor, de rodas ao ar e ouvi um bater de metal. Pensei que fossem uns homens que estavam a tirar cortiça. Fui- -me chegando e vi que era o Sr. António que, debaixo do tractor, batia com uma peça de metal na chapa, para chamar a atenção” – contou Jorge Rodrigues. “Tentei deitar–lhe a mão, mas ele disse-me que fosse buscar ajuda, porque sozinho eu não o conseguiria retirar, dada a posição em que ele ficou. Ele estava com o braço esquerdo debaixo do tractor e a com cabeça deitada. E ainda vi a mulher dele que já estava morta”.
Jorge Rodrigues, de 54 anos, correu na direcção da aldeia, a pedir socorro. A população acorreu em peso e ficou chocada, com o que viu. Passada uma hora, depois do pedido do pastor, António Júlio dava o último suspiro. A sua mulher, sem vida, seria resgatada depois, quando um tractor, com a sua pá, levantou a viatura capotada.
As causas do acidente não estão apuradas, mas, segundo o pastor, “teve a ver com uma mudança de velocidade errada. Ele deve ter subido um bocadinho a rampa, o tractor empinou-se e virou. Ele foi cuspido e a senhora dele ficou lá debaixo” – contou Jorge Rodrigues.
Segundo familiares, o acidente deve ter ocorrido pelas 11 horas da manhã, altura em que, habitualmente, vinham dos campos.
“O meu cunhado esteve doente e eles agora já só tinham a hortinha e a minha cunhada nunca o deixava andar sozinho, no tractor. Deve ter sido um sofrimento, coitadinho, a chamar por ela. Se tivessem sido descobertos mais cedo… Nunca se sabe, Só a sede chegava para os matar” – disse um deles.
A aldeia ficou em estado de consternação.
“Toda a gente tinha boa relação com eles. Eu não dormi nada, tive toda a noite aquelas imagens na cabeça” – comentou o pastor que deu o alarme.
Para além dos populares que acorreram, estiveram no local a GNR, os Bombeiros e o INEM.
Jmcardoso



