Segunda-feira, 15 de Agosto de 2022
Adérito Silveira
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Clarões do passado

Por Mateus passava um homem desdentado, roto e descalço que lia versos às raparigas que lavavam nos tanques. O Zé de Abaças, carregado de risos e de baba mostrava um amor que não conhecia porque nunca o tivera. O papel era tirado dos seus bolsos rotos com parcimónia mas o que nele estava escrito eram gatafunhos e arabescos desconexos, pois o pobre não sabia ler.

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Em 1969 chocou a morte de uma rapariga com 17 anos que no seu veleiro de dor partiu com o mesmo sorriso resplandecente como quem vai para uma festa onde só os anjos têm lugar. Dentro do caixão parecia uma santa com um rosto desenhado de serenidade e inocência.

Figura emblemática foi a do Zé Mio… músico amador e pintor de profissão. Em desafiantes trinados de assobio caiava as casas querendo rivalizar com os pássaros sob a aura da felicidade. Mateus teve vários artistas destes que se tornaram músicos das bandas da terra inspirados pela natureza coberta de vida e sustento.

Havia respeito pela morte. Depois da ceia contemplava-se a lua, alva e fria que como fornalha

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