No Agrupamento de Escolas Miguel Torga, em Sabrosa, foi criado o Clube de Solidariedade e Saúde, um desafio lançado pela professora Carla Fernandes à turma do terceiro ano do curso profissional de técnico do desporto.
O clube começou a funcionar no ano letivo 2024/2025, em que a professora de desporto, em conjunto com os alunos, decidiu criar um projeto que pudesse ter um “tronco comum” de todas as outras disciplinas. “Lancei-lhes o repto de criarmos qualquer coisa que pudesse ir de encontro às necessidades das pessoas. Foi aí que surgiu a criação do Clube da Solidariedade e Saúde”, explica Carla Fernandes, adiantando que os alunos foram visitar escolas, infantários e lares para ver se teriam algumas necessidades mais prementes que eles pudessem colmatar.
“Quando fomos visitar o Lar de São Martinho de Anta soubemos que o incêndio do verão de 2025 destruiu alguns equipamentos. Desde logo nos prontificamos a arranjar cadeiras de rodas e cadeirões. Eram duas cadeiras de rodas e dois cadeirões que precisavam. E eu disse logo, então nós vamos tratar de arranjar esse material”.
O desafio estava lançado e era necessário colocar mãos à obra. “Lançamos um peditório através das redes sociais e andamos na rua a pedir às pessoas para colaborar. O certo é que conseguimos entregar mais equipamentos, nomeadamente quatro cadeiras de rodas, três poltronas e quatro cadeirões”, explicou Carla Fernandes, acrescentando que o clube não ficou por aí e já enviou material escolar para São Tomé e Príncipe, colchões e computadores para Timor, por exemplo.
“O clube precisa de voluntários, pelo que vou lançar o repto a uma das minhas turmas para aderirem. Eles podem fazer a diferença”
CARLA FERNANDES
PROFESSORA
“À medida que íamos conseguindo os donativos, fazíamos as entregas. Também ajudamos a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Sabrosa com 500 euros para a criação de uma sala de lazer”, sublinhou a professora.
Para angariar fundos, o clube de alunos promove caminhadas solidárias, participa em eventos com ‘barraquinhas’, onde vendem bolos, crepes, panquecas, espetadas de frutas, como contou à VTM a antiga aluna do Agrupamento de Escolas Miguel Torga, Inês Lourenço. “Durante o ano letivo fizemos quatro caminhadas e organizamos as barraquinhas para arranjar dinheiro para ajudar os outros”, refere, adiantando que se sente bem ao participar nas iniciativas. “Nunca tinha feito nada semelhante e o sentimento que fica é de satisfação pessoal por ajudar quem precisa”.
Outra voluntária, Marta Lopes, de 15 anos, entrou no clube depois da professora a ter convidado a aderir. “Aceitei logo, porque ajudar os outros não dá trabalho nenhum. Sempre gostei de ajudar as pessoas e sinto-me realizada por fazer este trabalho solidário”.
Carolina Gomes, de 16 anos, conheceu o clube através de cartazes que viu nas ruas de Sabrosa, e como era do grupo de amigos do Eduardo e da Inês (que começaram o projeto no âmbito de uma disciplina), decidiu inscrever-se e participar nas iniciativas. “Ao fazer o bem aos outros, sentiu-me feliz e realizada. Agora quero continuar a ajudar e participar nas iniciativas que vamos fazer, porque a felicidade é maior do que o trabalho que nos dá”.
Os próximos desafios do Clube da Solidariedade e Saúde já estão no terreno e passam por ajudar uma menina chamada Luane, que sofreu um acidente em Quarteira (Algarve) e tem familiares em Parada do Pinhão. O clube está também a angariar fundos para a requalificação do infantário da Santa Casa da Misericórdia de Sabrosa.







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