Quinta-feira, 28 de Outubro de 2021

Colóquio frisou importância dos muros de xisto durienses

Ao longo de várias centenas de quilómetros, os muros de xisto, desenham, na região duriense, mais de um século de história. Verdadeiros monumentos construídos pelo homem e que, ao longo dos anos, têm sofrido não só com o desgaste próprio do tempo, mas, também, com o descuido e a indiferença dos vitivinicultores e do próprio […]

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Ao longo de várias centenas de quilómetros, os muros de xisto, desenham, na região duriense, mais de um século de história. Verdadeiros monumentos construídos pelo homem e que, ao longo dos anos, têm sofrido não só com o desgaste próprio do tempo, mas, também, com o descuido e a indiferença dos vitivinicultores e do próprio Governo. No dia que se comemorou, internacionalmente, o Dia dos Monumentos e Sítios, as atenções viraram-se, mais uma vez, para a importância de salvar “as rugas do Douro”.

 

No mesmo dia (18) em que foi aprovada a abertura de mais uma fase do Programa de Apoio à Reconversão e Reestruturação da Vinha (VITIS) que contempla o financiamento para a recuperação dos muros de xisto, a Estrutura de Missão do Douro (EMD) organizou um colóquio que debateu, exactamente, a importância de preservar as edificações que, muito além do seu papel de suporte dos socalcos de vinhedo, representam uma das principais riquezas da paisagem duriense.

“Temos que ter um sentido estratégico. É indispensável definir prioridades”, sublinhou Ricardo Magalhães, Chefe de Projecto da EMD, referindo-se à manutenção da paisagem da Região Demarcada do Douro, mais exactamente à recuperação dos muros de xisto, um trabalho que exige um forte investimento e que, segundo o mesmo responsável, representa um “notável esforço financeiro” a desenvolver-se, através da concretização de “parcerias público-privadas”.

Estendendo-se ao longo de cerca de dois mil quilómetros, os muros de xisto, grande parte dos quais construídos, há mais de um século, nos terrenos íngremes do Douro, são uma das principais características que marcam a paisagem duriense que, em 2001, mereceu o reconhecimento de Património da Humanidade. Embora o título, atribuído pela UNESCO, não se encontre em risco, a recuperação dos muros é uma das preocupações principais, quando se fala na manutenção da paisagem duriense e, consequentemente, na continuidade do título conquistado.

Ricardo Magalhães sublinhou que esse trabalho não deve ficar apenas “às costas e às custas” dos proprietários das vinhas, salientando que, além de dinamizar os apoios necessários ao investimento na recuperação dos muros, o Governo deve dar o exemplo, zelando, também, pela sua manutenção, o que, muitas vezes, não é uma realidade. “Algumas obras, realizadas pelo Governo, no âmbito da melhoria das acessibilidades, na região, mexeram com os muros. Onde havia muros de xisto, surgiram muros em betão, com a desculpa de que, mais tarde, seriam lajeados com xisto, o que nunca chegou a acontecer”, testemunhou o Chefe da Estrutura de Missão, referindo, mesmo, que algumas das obras do Governo “não são, propriamente, um primor”.

No entanto, o investimento nos muros já é uma preocupação em várias quintas durienses, como, por exemplo, da Real Companhia Velha que tem cinco pedreiros especializados e 10 serventes, apoiados por duas máquinas, a recuperar os muros, num “trabalho lento, moroso e muito caro”.

Segundo Rui Soares, da Real Companhia Velha, são quilómetros de muros de suporte, de vinha e de estradas que estão a ser construídos de novo ou recuperados, numa intervenção que já conta com um investimento de vários milhares de euros.

Carlos Guerra, Director Regional da Agricultura do Norte, sublinhou a importância da união dos vitivinicultores no trabalho de manutenção da paisagem duriense.

“O maior problema reside na capacidade ou não que os durienses têm em se organizar”, defendeu o mesmo responsável, adiantando que, no mesmo dia, foi aprovada a abertura do processo de candidatura a mais uma fase do Vitis. Entre as novidades de mais uma campanha de entrega de subsídios, destaca-se o alargamento do apoio “aos matos mediterrânicos, existentes nos mortórios” e o novo conceito de cadastro vinícola que pretende, agora, “criar um inventário geral de todo o património duriense (muros de xisto, calçadas de pedras, património vernacular, entre outros)”.

De recordar que, só entre os meses de Maio e Agosto do ano passado, o programa Vitis foi responsável pela atribuição de mais de vinte milhões de euros, distribuídos por quase mil candidaturas, numa ajuda que levou à recuperação de muros, em cerca de dois mil hectares de vinha.

 

Maria Meireles

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