A ideia surgiu “no sábado à noite”, porque “vimos que era realmente necessário ajudar as pessoas que estão na Ucrânia e que ficaram sem nada”, conta Ivanna Rohashko, acrescentando que, “em apenas um dia, conseguimos imensas coisas e as pessoas estão constantemente a contactar para saberem como podem ajudar”.
E quem quiser contribuir, pode fazê-lo doando medicamentos, alimentos não perecíveis e roupa quente, que podem ser entregues, desde segunda-feira, nas instalações da empresa municipal “Vila Real Social” ou nos quartéis dos bombeiros da cidade. A primeira carrinha saiu ontem de Vila Real e a próxima deverá seguir viagem no sábado.
“PUTIN É MENTIROSO”
Ivanna está em Vila Real desde 2009, com os pais. Esteve recentemente na Ucrânia, na zona de Dubno, de onde é natural, a cerca de 500 quilómetros da Polónia. Voltou de lá com a avó, há sensivelmente 15 dias, e nada fazia prever esta situação. “Acreditámos, até à última, que isto não ia acontecer”, conta.
“Quando isto aconteceu foi muito assustador, foi horrível, porque temos lá família e amigos, que se têm de esconder em abrigos subterrâneos”, confessa, referindo que “mandam-nos mensagem de manhã e à noite a dizer que estão bem”.
As notícias vão chegando, também, através dos canais de televisão ucranianos e pelas redes sociais. Segundo Ivanna, “estão a bombardear creches, escolas e hospitais sem qualquer piedade”, apelidando Vladimir Putin de “monstruoso e mentiroso”.
“Ele é mentiroso, porque na televisão russa diz que está tudo bem, que foram à Ucrânia numa missão de defesa da paz, sem tiros nem bombas e não é isso que se vê”.
Já sobre o presidente ucraniano, que não abandonou o seu país, Ivanna lembra que “ninguém acreditava nele, gozaram com ele” por ser comediante, “mas a verdade é que está lá, a dar o exemplo e a lutar ao lado do seu povo”.
MEDO E PREOCUPAÇÃO
Sergiy Syzyi, de 26 anos, está em Portugal desde 2015 e, atualmente, é jogador do SC Vila Real. A sua família vive em Kharkiv, uma das cidades mais próximas da fronteira com a Rússia e uma das mais afetadas pelo conflito.
“Nunca pensei que chegasse a este ponto, estou muito triste e preocupado, porque estou longe da minha família e dos meus amigos. Espero que isto acabe o mais rápido possível”, confessa, explicando que “no primeiro dia, o meu pai saiu do trabalho por causa dos tiros e o meu irmão acordou de madrugada, com os vidros a tremerem por causa das bombas. Passaram a dormir de roupa, caso seja preciso fugir”.
Para Sergiy, esta é “uma guerra do Putin”, a quem chama de “louco”. “As pessoas não merecem nada disto”, frisa, deixando um pedido a Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, “falar com Putin e pedir-lhe que acabe com isto”, nem que para isso tenha de “entregar-lhe as cidades”.
Para ajudar pode ligar para: Ivanna Rohashko: 967383426








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