Cerca de três milhões de euros foram investidos para garantir a questão de segurança na construção do viaduto do Corgo, uma infraestrutura incluída na Autoestrada Transmontana que deverá abrir ao tráfego até ao final de agosto e que, no dia um, recebeu a visita do Sindicato de Trabalhadores de Portugal.
“Temos que louvar o que é de louvar”, sublinhou Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção que, numa conferência de imprensa realizada em cima da ponte, enalteceu o facto da obra, considerada mesmo “uma das de maior risco em curso na Europa”, não ter registado quaisquer acidentes com vítimas mortais.
Com uma extensão de 2.796 metros, ao longo dos quais se podem contar 22 pilares, o viaduto do Corgo conta com cerca de 200 metros de altura, desde a fundação até ao topo dos mastros.
Lembrando as visitas que fez durante as obras, o sindicalista constatou várias vezes in loco que “nos pilares não havia lugar sequer para um prego cair para baixo”. “Sinto-me um sindicalista feliz porque esta obra não ter registado nenhuma morte”, reforçou o mesmo responsável, demonstrando “o maior respeito” por todos os envolvidos na obra, “desde o servente até ao operário mais qualificado”.
Rodrigues de Castro, diretor geral da Autoestradas XXI, confirmou as dificuldades envolvidas numa obra que só foi possível graças “à experiência das empresas e da equipa técnica envolvida no projeto, à utilização de equipamentos muito modernos e a uma preocupação muito forte com as condições de segurança”.
Na conferência realizada sobre a ponte, ainda fechada ao tráfego, Albano Ribeiro aproveitou ainda para denunciar a falta de meios à disposição da Autoridade para as Condições de Trabalho, entidade responsável por fiscalizar, entre outros aspetos, as questões ligadas à segurança na construção civil.
Segundo o sindicalista, desde o início do ano e até junho, houve uma redução de oito mortes em acidentes de trabalho no setor, relativamente a igual período do ano passado, no entanto esse número está em risco de vir a aumentar. “Há delegações regionais que não têm meios para intervir, que não têm como se deslocar aos locais das obras”, denunciou.
“Desde já responsabilizamos o Governo, se continuar a persistir nesta direção, pelo número de mortos que se possa vir a registar em Portugal”, advertiu ainda o presidente do Sindicato da Construção, lembrando que apesar do número de grandes obras estar a diminuir em Portugal, as pequenas obras de recuperação e requalificação de edifícios estão a proliferar e são nessas que se veem as grandes infrações às questões da segurança dos trabalhadores.
Autoestrada Transmontana está praticamente pronta
A Estradas de Portugal (EP) anunciou, no dia um, a abertura ao tráfego dos troços da Autoestrada Transmontana entre os Nós de Vila Real sul e Vila Real nascente e entre os Nós de Amendoeira (Macedo de Cavaleiros) e Santa Comba de Rossas, com uma extensão aproximada de 24 quilómetros.
A empresa sublinhou, em comunicado, que fica assim “concluída a ligação direta por autoestrada de Vila Real a Bragança e à fronteira com Espanha, em Quintanilha”.
“Da totalidade dos 134 quilómetros da A4, falta concluir o Nó de ligação ao IP4 em Parada de Cunhos, desenvolvido para funcionar como alternativa face à não conclusão do Túnel do Marão”, revelou ainda a EP, adiantando que “a abertura ao tráfego deste troço ocorrerá até final de agosto”.
Recorda-se que este último troço integra uma subconcessão que foi objeto de renegociação no ano passado, “tendo a Estradas de Portugal e a Autoestradas XXI chegado a um acordo que permitirá alcançar uma poupança, a preços correntes, estimada em cerca de 81 milhões de euros, ao longo da vida da subconcessão e ao pagamento adicional à EP de 17 milhões, relativo à partilha de benefícios decorrentes da otimização de soluções construtivas”.
Relativamente à denúncia de que haveria em alguns troços da nova via, nomeadamente entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros, “pequenas lombas” que poderiam pôr em causa a segurança na circulação automóvel, o diretor geral da Autoestradas XXI explicou que as reparações, algumas “mais superficiais” outras mais “profundas”, estão a ser feitas.
“Tivemos alguns pequenos percalços porque a construção daquele troço coincidiu com períodos menos bons para a sua conclusão, estamos a falar do inverno, uma altura do ano pouco propícia para a execução deste tipo de obras”, explicou Rodrigues de Castro, salvaguardando no entanto que a concessionária tem “vindo a resolver todas as situações”, sempre com a “preocupação de sinalizar” sempre que se verificam os referidos “ligeiros assentamentos no pavimento”.





