Sexta-feira, 1 de Julho de 2022
Agostinho Chaves
Agostinho Chaves
Trata o jornalismo por tu. Colabora com a VTM há mais de 25 anos. Foi Diretor entre 2014 e 2019. Passou por meios de comunicação nacionais, como o Comércio do Porto e a Rádio Renascença.

Contradições

Por vezes, acontecem situações muito particulares, reveladoras de circunstâncias entre o lógico e o contraditório.

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O que se passa em Vila Pouca de Aguiar, através do seu presidente da Câmara, é paradigmático. Alberto Machado (que vai anunciar, publicamente, a sua recandidatura ao cargo, no sábado, dia 29) está a ser julgado, no Tribunal de Vila Real, conjuntamente com o anterior presidente e um funcionário administrativo da autarquia, por “abuso de poder”, pelo facto de os três acusados terem alegadamente favorecido uma empresa (que procedeu à construção de diversas obras importantes no concelho, após concursos públicos), no mandato anterior, quando o executivo resolveu tomar a seu cargo a recuperação do edifício do antigo Hotel Universal, em Pedras Salgadas. A acusação aponta para o facto de o projeto de recuperação passar por cima de uma outra anteriormente havida.

Há, no entanto, algo de surpreendente: é o facto de o concelho de Vila Pouca de Aguiar ter sido considerado, no ano anterior, o sétimo classificado (entre 308, no país) no “Índice de Transparência Municipal” (ver “A Voz de Trás-os-Montes” de 9 de fevereiro de 2017), com o Ministério Público, autor da acusação, a referir “prevaricação de titular de cargo político e participação económica abusiva em negócio municipal”.

O acórdão será divulgado em 7 de setembro, data em que, por coincidência, será inaugurado o novo quartel dos Bombeiros Voluntários, em ano de centenário da instituição aguiarense. O novo quartel existe devido às diligências encetadas precisamente pelo mandato anterior dos ora acusados. Para a admiração ser maior, refira-se que a Direção da Associação Humanitária atribuiu a Alberto Machado, no dia 19 deste mês, o título de “Associado Honorário”, referindo entre os postulados justificativos precisamente “o empenho colocado pelo autarca em todas as reuniões onde, de uma forma muito transparente e aberta, se discutiu e resolveu os problemas” relativos ao novo quartel…

Também não deixa de ser certo que tudo isto se irá deslindar antes das eleições autárquicas de 1 de outubro, muito perto delas. De que forma poderá tudo isto influenciar o futuro do concelho nos próximos quatro anos?

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