Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2022

De Carrazedo de Montenegro para a Europa

A Monsurgel surgiu em 2013 pela vontade do pai de Francesco Marchese, atual administrador da empresa. Até chegarem à castanha transformada passaram dois anos, período durante o qual apenas comercializavam castanha em fresco.

-PUB-

2016 foi o ano em velocidade de cruzeiro. Desde aí, “temos registado não só um crescimento nos volumes da mercadoria trabalhada, como um crescimento constante do volume de negócio”, destacou Francesco Marchese.

O impacto da pandemia

A pandemia veio quebrar o ritmo de crescimento da Monsurgel. “O ano de 2020 teve um forte impacto nos nossos negócios. Durante a primeira vaga, o principal dano foi não termos vendido a castanha congelada de 2019. No outono, com a segunda vaga, tivemos um outro problema. O mercado de frescos estava praticamente estagnado. O produto não era escoado porque a Europa estava parada, incluindo os assadores de castanhas, uma parte importante do nosso mercado”.

A Monsurgel registou uma quebra “de mais de 40% em volume de negócio. É pena que o nosso setor não tenha recebido qualquer apoio em 2020. Empresas como a nossa desempenham um papel intermediário importante entre os agricultores locais e os clientes estrangeiros, o que é uma mais-valia para o país”, refere.

Aumentos e alterações climáticas

2021 está, por isso, a ser um ano desafiante. “Todas as matérias-primas estão a aumentar. Não conseguimos impor este aumento no preço ao cliente, uma vez que a castanha é um produto altamente sazonal. Em janeiro ninguém vai querer a castanha em fresco. Estamos a limitar as nossas margens para escoar a mercadoria”, destacou o administrador.

Além destes aumentos, as alterações climáticas comprometeram a produção. Segundo Francesco Marchese, “além de um ano fraco devido à Covid-19, o pior que podia acontecer este ano era o clima não jogar a nosso favor. E aconteceu. Tivemos um verão muito frio e um mês de setembro marcado por temperaturas muito baixas. A árvore não conseguiu maturar o fruto e os ouriços acabaram queimados”.

Destinos da exportação

França e Itália são os principais mercados da Monsurgel. “95% do volume de negócio que estamos a desenvolver é feito em França, com castanha descascada e congelada. Em Itália vendemos a castanha em fresco. Portugal não é, apenas, um grande exportador de jogadores de futebol. Hoje em dia, 95% das nossas vendas são para o estrangeiro. A Monsurgel desempenha um papel importante no desenvolvimento da marca “castanha portuguesa” em Itália. Existem cada vez mais pessoas a reconhecer o valor da nossa castanha e a querer comprá-la”.

Francesco acredita que, “num futuro próximo, a castanha portuguesa se irá posicionar melhor como referência para os clientes” e ocupará um lugar cimeiro nas mesas dos europeus, “tal como o azeite, o vinho ou a amêndoa”.

-PUB-

APOIE O NOSSO TRABALHO. APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências do confinamento, sem termos parado um único dia.

Contribua com um donativo!

Mais lidas

A Imprensa livre é um dos pilares da democracia

Nota da Administração do Jornal A Voz de Trás-os-Montes

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.