Sexta-feira, 1 de Julho de 2022

Derrota vestida de amarelo

Com a derrota sofrida, em casa, perante um adversário directo, o Vila Real complica muito a sua permanência na 3.ª Divisão Nacional. Num jogo de nervos, em que era proibido perder, o protagonista acabou por ser o homem vestido de amarelo que teve uma actuação vergonhosa, no Monte da Forca. Foram demasiados erros que prejudicaram, […]

Com a derrota sofrida, em casa, perante um adversário directo, o Vila Real complica muito a sua permanência na 3.ª Divisão Nacional.

Num jogo de nervos, em que era proibido perder, o protagonista acabou por ser o homem vestido de amarelo que teve uma actuação vergonhosa, no Monte da Forca. Foram demasiados erros que prejudicaram, sempre, os mesmos e, quando assim é, não é possível vencer jogos. Foram muitas as oportunidades goradas pelos transmontanos, perante um Ataense que demonstrou muitas fragilidades, tanto ofensivas como defensivas. É uma equipa inferior à do Vila Real, mas, na verdade, conseguiu levar os três pontos e, assim, distanciar-se de um adversário directo e subir, um pouco, na tabela classificativa.

O técnico “alvinegro”, Maki, sabia que este jogo era preponderante para as aspirações da sua equipa e apostou, claramente, no ataque, ao colocar Ricardo e Maniche como os homens mais avançados. Olivier e Caniggia apoiavam nos flancos, enquanto Lemos era o organizador de todo o jogo ofensivo da equipa.

Apostado em marcar o mais cedo possível, o Vila Real começou, logo, a criar perigo, nos minutos iniciais. Aos 4 minutos, Maniche abriu caminho para Olivier encher o pé, mas o remate saiu a roçar a barra. Depois, Caniggia ganhou, na esquerda, colocou para a entrada de Maniche que não conseguiu desfeitear Fábio. O remate saiu sobre a barra. Volvidos três minutos, Lemos, num pontapé de canto, levantou para o segundo poste, onde apareceu Ernesto, a rematar para a baliza, mas o guarda-redes defendeu, sobre a linha de golo. Só havia uma equipa em campo, à procura do golo. Aos 26 minutos, mais uma ocasião perdida pelos avançados da casa. Maniche fez o cruzamento tenso para o coração da área, onde Ricardo, completamente solto, não deu o melhor seguimento à jogada. Tinha obrigação de fazer muito melhor. O Ataense, sempre remetido ao seu reduto defensivo, apenas espreitava uns tímidos contra-ataques. Como aquele que aconteceu, ao minuto trinta. Já dentro da área, Ricardo cabeceou, para boa intervenção de Vieira. Na resposta, mais uma perdida incrível de Maniche. Recebeu a bola, dominou com o peito, ficou isolado e rematou forte, mas a bola saiu sobre o travessão.

Decorria o minuto 45, quando surgiu o primeiro caso do jogo. Vieira saiu dos postes e cortou uma bola que poderia levar perigo à sua baliza. Na sequência do lance, o avançado forasteiro caiu dentro da área. O árbitro, de pronto, assinalou para a marca de castigo máximo e mostrou o cartão amarelo a Vieira. Esteve mal o juiz da partida, ao castigar a equipa transmontana com uma grande penalidade que não existiu. Chamado a converter, Sérgio não teve dificuldade em marcar o primeiro golo do jogo.

Para o segundo tempo, foi de novo o Vila Real a dominar e a tentar anular a desvantagem. As várias paragens no jogo foram mais um factor a enervar os jovens vila-realenses. Mesmo assim, houve muitas oportunidades, para inverter o resultado. Primeiro, foi Lemos, de cabeça, a rematar, mas a bola saiu a milímetros do poste. Depois, foi Maniche a falhar uma nova oportunidade. Dentro da área, só com o guarda-redes pela frente, rematou, contra este. Perdida incrível do avançado “alvinegro”. Aos 61 minutos, Ricardo, em boa posição, levou a bola a “beijar” o poste. Dois minutos volvidos, o árbitro errou, de novo, ao não assinalar uma mão na bola, dentro da área “verde-rubra”. Na confusão, Gil desviou a bola com a mão, mas o árbitro, perto do lance, nada assinalou, mandando prosseguir o jogo.

Era um Vila Real forte, mas já com muitos nervos à mistura, com os sucessivos erros da equipa de arbitragem. Os protestos agudizavam-se, entre os jogadores do Vila Real e o árbitro que aproveitava para amarelar quase toda a equipa.

Aos 75 minutos, Filipe Lemos rematou ao poste. Poucos minutos volvidos, mais um caso. O fiscal de linha levantou a bandeirola, assinalando fora de jogo. Vieira saiu da área e agarrou a bola, para a colocar, de novo, em jogo. O árbitro apitou e marcou livre indirecto, contra o Vila Real, mostrando o segundo cartão amarelo a Vieira e, consequentemente, expulsão. Vieira saiu do campo inconsolável e em lágrimas, perante a atitude do árbitro. Ernesto teve de ir para a baliza, até ao final do encontro.

Contra tudo e contra todos, os jogadores da casa tudo fizeram para vencer. Ainda conseguiram chegar ao golo do empate, já no período de descontos, numa grande iniciativa de Lemos que culminou num grande golo do médio vila-realense. Quando ainda tentavam chegar à vitória, a defesa ficou desguarnecida e o Ataense aproveitou o contra-ataque, para marcar o segundo golo e levar os três pontos do Monte da Forca.

Muita sorte para equipa visitante que, nos últimos segundos, conseguiu alcançar a vitória.

No final do encontro, os ânimos exaltaram-se e a equipa de arbitragem teve que sair escoltada pela PSP.

A derrota acabou por ser demasiadamente penalizadora para os vila-realenses que tudo fizeram para vencer o jogo.

A equipa de arbitragem, vinda de Braga, teve uma actuação infeliz, ao errar, sempre, para o mesmo lado, prejudicando, sempre, a equipa da casa.

 

Márcia Fernandes

 

MAKI, treinador do VILA REAL

“O que se passou aqui foi um escândalo”

Agastado e visivelmente triste, o técnico vila-realense estava sem palavras, para descrever o que se passara, em campo.

“Infelizmente, foi um árbitro de Braga que estragou um bom jogo de futebol. O que se passou aqui, foi um escândalo. É a terceira vez que os árbitros vindos de Braga prejudicam a equipa do Vila Real. Parece que querem que o Vila Real desça de divisão. Não tenho palavras para descrever o que fez a equipa de arbitragem. Os jogadores ficaram nervosos, mas, mesmo assim, não perderam a cabeça com as atitudes do árbitro.

Quanto ao jogo, fizemos uma boa primeira parte, na qual tivemos sete ou oito oportunidades claras de golo. O Ataense foi duas vezes à nossa baliza. Numa, o Vieira defendeu e a outra foi o lance da grande penalidade, no qual Vieira cortou a bola e o árbitro assinalou o castigo máximo. Na segunda parte, vi muito anti-jogo, com os jogadores no chão. O árbitro não fez nada para alterar este estilo de jogar do Ataense. Mesmo assim, quero dar os parabéns aos meus jogadores pela entrega que demonstraram em campo. Não mereciam perder, mas o árbitro assim o quis. Desta forma, é muito difícil vencer jogos. Já não é a primeira nem a segunda vez que isto acontece. Têm sido demasiados jogos em que somos, claramente, prejudicados”.

Quanto ao futuro, Maki é realista e sabe que a tarefa da equipa não será fácil.

“Com o que se tem passado, nos últimos jogos, vai ser difícil vencer algum jogo, no Monte da Forca. Temos criado muitas oportunidades para marcar e vencer, mas já são demasiados erros e sempre para o mesmo lado” – lamentou.

 

JOSÉ OLIVEIRA, treinador do ATAENSE

“Fomos mais felizes”

O técnico do Ataense estava, obviamente, satisfeito com a vitória, realçando a sorte da sua equipa, em momentos decisivos do jogo.

“Foi uma vitória do querer, da determinação e do esforço. O Vila Real bateu-se com muita dignidade, mas nós fomos mais felizes. Tivemos a sorte que nos tem faltado em alguns jogos. Soubemos defender bem, tentámos explorar o contra-ataque e conseguimos marcar dois golos. Mesmo assim, o resultado mais justo seria o empate. O Vila Real, por tudo aquilo que fez, não merecia perder”.

Confrontado com a actuação da equipa de arbitragem, José Oliveira foi peremptório: “Não me pareceu ter havido motivo para grande penalidade. Estava perto do lance e não vi o guarda-redes a fazer falta sobre o meu jogador. Apenas tocou na bola que acabou por sair pela linha de fundo. Mas o árbitro assinalou e nós marcámos. O futebol é mesmo assim. Desejo as maiores felicidades à equipa do Vila Real”.

 

ficha técnica

 

Jogo disputado no Complexo Desportivo do Monte da Forca, em Vila Real.

Árbitro: Flávio Sousa, auxiliado por João Paulo e José Ribeiro.

VILA REAL – Vieira; Palmeira, Danilo (Braima, aos 80’), Vitó e Filipe; Lemos, Olivier, Ernesto e Ricardo; Maniche e Caniggia (Kalá, aos 66’).

Suplentes não utilizados: Jorge, João Miguel e Igor.

Treinador: Maki.

ATAENSE – Fábio Emanuel; Manuel, Gil, Vitó e Ricardo (Niamo, aos 72’); Artur (Jefferson, aos 67’), Sérgio, Hugo e Carlos; Marinho (Álvaro, aos 45’) e Tiago.

Suplentes não utilizados: João Paulo, Serginho, Márcio e Renato.

Treinador: José Oliveira.

Cartões amarelos: Vieira (45’+87’), Maniche (45+1’), Vitó, do Vila Real (53’), Álvaro (54’), Vitó, do Ataense (54’), Lemos (63’), Sérgio (73’) e Ernesto (81’).

Cartão vermelho: Vieira (87’).

Ao intervalo : 0-1.

Marcadores – Sérgio (45’, de g.p.), Lemos (90+2’) e Álvaro (90+5’)

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